noticias http://anovademocracia.com.br/noticias Fri, 28 Apr 2017 06:12:33 +0000 Joomla! - Open Source Content Management pt-br PT/Lula: o esboroar de um mito http://anovademocracia.com.br/no-149/5885-pt-lula-o-esboroar-de-um-mito http://anovademocracia.com.br/no-149/5885-pt-lula-o-esboroar-de-um-mito

O mito é uma narrativa que, mesmo baseada em fatos reais, os distorce, transmutando-os ao surreal, mas, como principalmente ocorre, origina-se em fatos, situações e personagens fantasiosos. É fruto da ignorância e ingenuidade, sustentando-se na aparência das coisas e fenômenos. Neste aspecto a mentira, a farsa e a fraude têm a mesma base do mito. Fundado há trinta e cinco anos como um partido político, o PT, que nasceu sob signo da mentira sobre o qual erigiu uma torre mitológica a qual assistimos, hoje, após ter-se convertido em seu contrário, pelo menos do que aparentou ser, desmorona-se e deverá sobreviver como uma entidade qualquer.

Sua criação foi estimulada por Golbery do Couto e Silva, o bruxo do regime militar, e pelo monopólio da imprensa para impedir a influência de Leonel Brizola e dos comunistas entre as massas. Partiu de uma grande mentira na medida em que sua base inicial foi a pequena-burguesia por sua parcela de intelectuais (particularmente os do CEBRAP, instituição à época financiada pela Fundação Ford) e funcionários públicos, cujos quadros oriundos da igreja católica, do trotskismo, de ex-guerrilheiros arrependidos e sindicalistas treinados pelos institutos ianques para “desenvolvimento do sindicalismo livre” (IADESIL¹, ligado à central sindical ianque AFL-CIO² e vinculada à CIOLS³). Aglomerados sob o guarda-chuva denominado Partido dos Trabalhadores, esses setores tinham por seu porta estandarte um líder fabricado de encomenda: o ex-operário metalúrgico, preparado pela igreja e pelos já referidos cursos ianques ministrados por programas do Departamento de Estado do USA, ademais de ser da estrita confiança das montadoras, o senhor Luiz Inácio da Silva.

Lula iniciou a carreira no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo pelas mãos do conhecido pelego Paulo Vidal. Galgou os principais cargos. Deu o pulo do gato no sindicalismo quando o descontentamento operário partia para a luta aberta nos principais centros industriais do país e o regime militar, já em crise, não podia mais conter a revolta popular e temia o surgimento de fortes lideranças comunistas entre os operários. Ele pegou carona na greve dos operários da Saab-Scânia, a primeira mais importante em São Bernardo, em 1978, e liderada pelo operário Gilson Menezes.

Daí foram mais algumas greves em que os trabalhadores foram habilmente enganados e vendidos às montadoras. Enquanto a maioria das lideranças grevistas era aprisionada e satanizada como comunista, subversiva e baderneira, o nome de Lula foi para as manchetes dos grandes jornais, entrevistas dos canais de televisão e capa da revista Veja. Eis aí o mito Lula.

Depois de três tentativas de disputar o gerenciamento do velho Estado brasileiro, Luiz Inácio, após ajustar o seu discurso ao gosto do imperialismo, da grande burguesia e do latifúndio (e o PT ter expurgado grupos tidos à sua esquerda), chega, enfim, ao posto de gerente de turno do velho Estado brasileiro. E chega aplicando as imposições do FMI e do Banco Mundial embrulhadas em mirabolantes promessas de “fome zero”.

Em junho de 2003, o jornal AND n° 10 trazia a manchete ‘Governo Lula é uma fraude’ e afirmava em seu editorial:

“É inegável que ao poder não falta espaço para manobrar, simular prestígio e retocar imagens com programas de impacto. Por isso, é tido como imprudente acusar um governo que conseguiu reunir toda a oligarquia latifundiária e burocrática e tem o aval do imperialismo ianque e europeu. O povo, estarrecido, observa a traição.”

Num longo artigo publicado na mesma edição, ‘O governo petista, a república de Sarney e a democracia’, aprofundamos a denúncia das falsas reformas urdidas pelo oportunismo: “O cenário político oficial do país, sob a nova gerência, segue seu curso de sempre, imerso na politicalha do toma lá dá cá. Desta vez, no mundo de negócios de todo tipo e após a anistia e acobertamento dos crimes de Fernando Henrique Cardoso, destacam-se o encobrimento das investigações do caso ACM, distribuição de cargos a vários partidos e favores a políticos. No imediato, tudo isto se destina à aprovação do pacote de reformas enviadas ao Congresso pelo presidente da República. Por outro lado, o grande interesse e empenho com que o monopólio dos meios de comunicação têm se manifestado e batalhado pela aprovação na íntegra e no prazo mais imediato possível do pacote de reformas, é por si só revelador do seu caráter reacionário e antipovo”.

Por sua atualidade, citaremos um longo trecho do artigo no qual deixamos evidente o compromisso petista com a velha democracia, ao mesmo tempo em que apresentamos um projeto de programa para a Revolução de Nova Democracia:

As reformas petistas e a revolução democrática

“É preciso ressaltar que nos deparamos hoje com algo realmente inusitado: enquanto a chamada ‘esquerda’ no poder arma as mais sinistras alianças para aprovar no Congresso reformas que lesam brutal e covardemente as massas trabalhadoras e os aposentados e pensionistas, a classe operária dos países imperialistas entram em luta, cada vez mais radicalizada, contra as tentativas de retirar-lhes direitos. (...) E nossos eminentes representantes do governo do Partido dos Trabalhadores cacarejam sobre a justeza e necessidade de tais reformas.

Além do significado prático imediato, cujo impacto sobre a vida do povo brasileiro empurra a situação social num plano inclinado para o caos feito de desemprego, miséria, fome, doenças e criminalidade a níveis explosivos, as ‘reformas’ do governo petista compõem também um quadro da estratégia de manutenção do poder das classes dominantes reacionárias. Isto se dá na medida em que elas buscam, atendendo aos interesses do capital financeiro em primeiro lugar e das demais classes, suas serviçais, dar funcionalidade e operacionalidade ao velho e podre Estado burguês-latifundiário, questão central e vital para a manutenção e sobrevida de todo esse sistema em decomposição.

Não passam do mais crasso oportunismo as posições de quem advoga disputar o governo com a burguesia. Esta tem sido exatamente a marca do oportunismo no movimento popular brasileiro ao longo de décadas. Assim passaram-se os anos com as direções oportunistas tentando ganhar para esquerda os governos de Getúlio Vargas, de Juscelino, de Jango terminando tudo em derrotas contundentes para as massas e para o caminho democrático. Passado o gerenciamento militar, o mesmo se tentou com o governo de Sarney. O caminho democrático só pode se desenvolver de forma independente, como política do proletariado, baseado na aliança operário-camponesa para construir uma mais ampla frente única que inclua a pequena-burguesia e setores da média burguesia. O caminho democrático só é possível de se desenvolver e se realizar plenamente pela via da democracia revolucionária que não tem nenhuma identidade com este velho e podre Estado em decomposição. Ao contrário, ele só pode ser concretizado via a destruição deste velho Estado e na construção de um novo, que seja expressão de uma verdadeira e autêntica República Democrática, sustentada diretamente nas massas trabalhadoras.

Dado às condições de ofensiva geral contrarrevolucionária mundial encabeçada pelo imperialismo ianque e como parte dela no país, o triunfo eleitoral do oportunismo, o caminho democrático ainda encontra-se na defensiva. Após ter sofrido duros golpes durante o gerenciamento militar, não pôde desenvolver-se estorvado pela existência do radicalismo pequeno-burguês dos anos 80, que do oportunismo de ‘esquerda’ derivou-se em oportunismo de direita, desembocando no seu triunfo eleitoral de 2002. No entanto, as bases que determinam a atual ofensiva contrarrevolucionária geral no mundo e no país, é a formidável crise de todo o sistema capitalista que ameaça desbordar. Tais bases são ao mesmo tempo, no decorrer dos próximos anos, as condições objetivas que empurrarão cada vez mais as massas para a luta e criam grandes possibilidades e perspectivas para o caminho democrático desenvolver-se.

No país cresce sem cessar o movimento camponês e a luta em seu interior entre seguir o oportunismo ou o caminho revolucionário. As massas populares urbanas vão recompondo suas organizações e generalizam suas lutas em defesa de seus direitos. No movimento estudantil e sindical se abrirão inevitavelmente ferrenhas lutas políticas contra o oportunismo, em particular por causa direta da política econômica pró-imperialista e suas reformas. Será do seio das lutas mais radicalizadas e autenticamente classistas contra todo este estado de coisas e por um novo poder que se forjará a direção proletária capaz de retomar o caminho democrático e levá-lo ao seu triunfo, o que não tem a menor possibilidade de ocorrer da noite para o dia e exigirá muitos anos. De forma geral, a crise do Estado em decomposição, a continuidade nos fatos da sua relação com a sociedade, a manutenção da politicalha de sempre, da corrupção e violência contra o povo como uma frustração sobre as promessas de esperanças do atual governo, lançarão por terra as últimas ilusões sobre a farsa que representa todo o sistema legal dessa velha república da fome e miséria.

O caminho democrático e seu Programa Geral

O caminho democrático avançará sem dúvidas e em meio de mil e uma dificuldades e grandes desafios. A luta pela construção da Frente Única Revolucionária depende para seu pleno desenvolvimento de uma direção revolucionária proletária, capaz de aplicar uma linha justa e correta para seu estabelecimento e desenvolvimento. A frente única de classes revolucionárias abarca o conjunto das massas populares, maioria esmagadora da população formada por operários, trabalhadores urbanos em geral, camponeses e assalariados do campo, servidores públicos, estudantes e intelectuais, pequena burguesia, pequenos e médios proprietários do campo e da cidade. Tal direção deve partir da concepção da luta por todos os meios guiados por um programa cujos eixos gerais podem assim ser definidos:

  1. Estabelecimento da República Popular do Brasil em todo o país, como frente de classes revolucionárias, baseado na aliança operário-camponesa, sob hegemonia do proletariado e direção de seu partido revolucionário. República Popular de Nova Democracia apoiada nas massas armadas e organizadas na Assembleia Nacional do Poder Popular;
  2. Varrer a dominação imperialista, principalmente ianque e todas as demais que oprimem nosso povo e saqueiam a Nação, confiscando todas as transnacionais — empresas e bancos -, e cancelar a dívida externa;
  3. Confiscar e nacionalizar todo o capital burocrático estatal e privado, todas suas propriedades, patrimônios e todo tipo de grande capital e grande propriedade;
  4. Destruição de todo o sistema latifundiário e confisco de todas suas terras e propriedades, entregando-as aos camponeses sem terra ou com pouca terra, segundo critérios do programa agrário que define as parcelas por região do país, todo apoio creditício e estímulo à uma crescente e massiva cooperação, concluindo a revolução agrária;
  5. Respeitar e assegurar a propriedade da burguesia nacional (média burguesia), na cidade e no campo;
  6. Cancelar todos os acordos internacionais lesivos ao país e ao povo e estabelecer uma nova política de relações internacionais, baseada no direito de igualdade das nações e povos e no internacionalismo proletário;
  7. Promoção de uma nova democracia, nova economia, nova cultura, que integre a economia nacional e a desenvolva reconhecendo as grandes diferenças e problemas regionais; estabilize as condições de vida das amplas massas populares do campo e da cidade com emprego para todos, grandes planos de habitação, saneamento e erradicação de doenças, tudo centrado na elevação cultural das massas, através da mobilização e educação vinculadas à prática social da luta pela produção, luta de classes e investigação científica, guiadas pela ideologia científica do proletariado, para destruir a cultura imperialista e levar a cabo a conformação nacional;
  8. Defender e consolidar os direitos e conquistas do proletariado, das massas populares e das minorias indígenas,assegurando real igualdade de direitos aos negros e às mulheres numa Declaração Geral dos Direitos do Povo. Respeitar a liberdade de consciência religiosa, em toda a sua amplitude, de crer e não crer;
  9. Mobilizar permanentemente as massas populares sob direção do proletariado para concluir a revolução democrática e passar ininterruptamente à revolução socialista, desenvolvendo nela sucessivas revoluções culturais proletárias;
  10. Como parte da revolução mundial, apoiar enérgica e decididamente a luta do proletariado internacional, das nações oprimidas e dos povos de todo o mundo, combatendo sem tréguas o imperialismo, o oportunismo e toda a reação mundial.

Este programa deve ser compreendido como objetivos a serem perseguidos e realizados ao longo do processo revolucionário democrático e completados cabalmente com o triunfo total da revolução. Para levar adiante a luta guiada por tal programa deve-se destacar um programa de luta imediato como programa agrário revolucionário e de defesa dos direitos do povo, programa democrático e anti-imperialista.

Conclui-se, pois, que a República Democrática no Brasil só poderá se estabelecer de fato enquanto República Popular, república de nova democracia, cuja sustentação, consolidação e desenvolvimento só poderão ser assegurados com a passagem imediata e ininterrupta à construção socialista.”

_____________________
Notas:

1 IADESIL (Instituto Americano de Desenvolvimento do Sindicalismo Livre) – responsável pela doutrinação da CIOLS, por onde passaram inúmeros dirigentes sindicais brasileiros que geriram o sindicalismo estatal em nosso país, entre eles, Luiz Inácio, o Lula.

2 AFL-CIO (American Federation of Labor — Congress of  Industrial Organizations) – a AFL surge em 1955 e é a maior central sindical do USA, enquanto a CIO, outra central do mesmo país, é menos expressiva. Essa junção sindical jamais escondeu suas origens contrarrevolucionárias e seu papel intervencionista.

3 CIOLS (Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres) – organização sindical impulsionada pelo imperialismo para fazer frente à crescente influência da Federação Sindical Mundial organizada e dirigida por sindicalistas comunistas e democráticos de todo o mundo. A CIOLS foi organizada por agentes dos serviços de inteligências dos países imperialistas para treinar sindicalistas no anticomunismo, infiltrar as organizações sindicais democráticas, sabotar a luta dos trabalhadores em defesa dos seus direitos e defender o capitalismo.

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Destacado Ano XIII, nº 149, 1ª quinzena de Maio de 2015 Edição Impressa Mon, 04 May 2015 00:13:42 +0000
Terceirização: mais chumbo http://anovademocracia.com.br/no-149/5882-terceirizacao-mais-chumbo http://anovademocracia.com.br/no-149/5882-terceirizacao-mais-chumbo

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A Câmara dos Deputados terminou de aprovar, em 22 de abril, o Projeto de Lei 4.330 de 2004, que libera a terceirização e a quarteirização de qualquer trabalho. Para isso virar lei, falta ainda a aprovação do Senado e a sanção pela senhora Rousseff.

Apresentado onze anos atrás pelo deputado goiano Sandro Mabel, dono da fábrica de biscoitos que leva seu sobrenome, o PL 4.330 foi desengavetado no começo de 2015 para que o restante da bancada patronal pudesse piorar o que já era ruim. A versão agora aprovada nega ao trabalhador terceirizado o enquadramento sindical dos contratados diretamente pela empresa e a possibilidade de cobrar dela o que ganhar na Justiça do Trabalho sem antes perder anos tentando executar a subcontratante. Esses eram os únicos benefícios contidos no projeto original.

O problema maior não está, porém, no texto da lei, mas em suas consequências. Um terceirizado é, teoricamente, um empregado com os mesmos direitos de qualquer outro, previstos na CLT. Na prática, as coisas não funcionam bem assim: levantamentos diversos feitos por entidades sindicais, centros de pesquisas, universidades e órgãos estatais atestam que a rotatividade no emprego, a incidência de acidentes e doenças e a desobediência às garantias legais dos trabalhadores inclusive sob formas extremas, como o trabalho escravo são muito maiores entre os terceirizados que entre os contratados diretamente.

A razão principal disso é que a terceirização desarticula os trabalhadores, já que realidades laborais distintas tendem a gerar reivindicações distintas e objetivos idem. Um local de trabalho em que alguns empregados têm a carteira assinada pela própria empresa e outros por terceiras é um ambiente dividido, e superar essa divisão sempre é difícil sobretudo considerando que, no Brasil, nem os contratados diretamente, nem, muito menos, os terceirizados costumam permanecer no emprego por tempo suficiente para isso.

Na lei, os direitos de terceirizados ou contratados diretos são iguais ou quase. Na prática, fazê­los valer se torna, para ambos, tão mais difícil quanto mais se facilita a terceirização. Mesmo a redação original do PL 4.330, que estendia aos terceirizados algumas garantias, era irremediavelmente maléfica por suprimir a barreira (nem sempre clara) que existe hoje, centrada na distinção entre atividade-fim e atividade-meio. Ao eliminar essa restrição, o projeto aprovado na Câmara abre as portas para que a terceirização substitua a admissão direta como forma predominante de contratação de trabalhadores no Brasil.

Estratégia patronal

A imprensa mercantil monopolista e os biombos do PT na internet têm coincidido em atribuir a súbita ressurreição do PL 4.330 a um confronto entre o PMDB, capitaneado pelo picareta Eduardo Cunha, e o governo. Essa explicação toma o acessório por principal, omitindo os motivos mais fortes e determinantes do que fizeram os deputados.

Ressentimentos e traições acumulados ao longo de 12 anos fazem com que a paz e a concórdia se tornem mais difíceis na base parlamentar do governo Dilma do que no desfeito lar da família Richtofen. Mas atribuir a essa contradição interna status de enfrentamento épico e a qualquer de seus polos superioridade ideológica ou moral sobre o outro é simplesmente uma impostura. PT e PMDB pressionam-­se e chantageiam-­se mutuamente por disputarem as posições mais vantajosas num mesmo campo, e não por estarem em campos opostos.

A precarização do trabalho não é uma peça aleatória de um jogo de baixa política parlamentar: é a resposta de um patronato majoritariamente reacionário diante de uma crise econômica brutal.

Incapazes de enfrentar o imperialismo e o latifúndio, os empresários congregados em organismos como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) submetem­se a eles e buscam compensar o prejuízo tirando dos trabalhadores o pouco que lhes resta, que é a comida e o emprego.

O compromisso com os interesses da tríade imperialismo/latifúndio/burguesia burocrática é maior que as divergências entre facções parlamentares e unifica não só PT e PMDB como também a oposição parlamentar de direita, PSDB à frente. O PL 4.330 é um programa de classe, não de partido, e se Cunha aproveitou a ocasião para criar algum embaraço à senhora Roussef e aos ineptos Aloizio Mercadante e Miguel Rosseto, esse é apenas um dado secundário.

O faz de conta do PT e da CUT

Se havia mesmo essa intenção, o presidente da Câmara não é tão esperto quanto ele mesmo e o PT gostam de propagar. Ao desenterrar o PL 4.330, Cunha desviou o foco dos cortes de direitos previdenciários promovidos no fim de 2014 pela senhora Roussef e sua equipe, ainda mais violentos do que o projeto terceirizador aprovado na câmara. Ao PT, que começava a ser merecidamente visto por um número crescente de trabalhadores como seu algoz, e à CUT, espremida entre a cruz e espada, Cunha deu uma oportunidade talvez a última de fingir que defendem os trabalhadores (o PCdoB teve entre seus parlamentares quem votasse a favor da terceirização generalizada e nem finge mais).

Se alguém ainda acredita na sinceridade da declarada oposição petista e cutista ao PL 4.330, convém lembrar que, em 2012, o governo da senhora Rousseff promoveu a aprovação da Lei 12.690, que libera a terceirização por meio de cooperativas de fornecimento de mão­de-obra, cujos trabalhadores não têm os direitos da CLT nem em teoria (ver AND 102). Qualquer mal que advenha da provável conversão em lei do que a Câmara aprovou agora será enormemente agravado por esse passo prévio.

O jogo duplo dos juízes

A principal referência jurídica sobre terceirização no Brasil é, hoje, a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que a proíbe para atividades­-fim e libera para atividades­-meio, mencionando, especificamente, limpeza e segurança.

Quanto à última, há uma lei (a 7.102, de 1983) de terceirização feita para evitar que os vigilantes, que frequentemente têm jornada de 12 horas, fossem enquadrados como bancários, cujo limite é de 6. Quanto à limpeza, não há lei impondo nem autorizando a exceção aberta pelo TST.

Trata-­se, assim, de uma interpretação discriminatória contra os trabalhadores dessa área, que tira deles a única possibilidade de obter uma condição decente de trabalho. Como o enquadramento sindical do empregado se dá pela atividade principal do empregador, a faxineira do escritório de uma indústria metal­mecânica seria regida pelos acordos entre seus patrões e o sindicato dos metalúrgicos; a de um banco teria prerrogativas de bancária. Com a Súmula 331 do TST, é quase impossível encontrar um faxineiro que não seja terceirizado — o que implica privação de conquistas sindicais e perda do emprego a cada término de contrato entre o tomador dos serviços e a empresa intermediadora.

Desde 2011, o Sindicato dos Trabalhadores em Condomínios de Brasília vinha obtendo dos patrões o compromisso de contratar faxineiros e vigilantes diretamente, em vez de terceirizá­-los; afinal, em condomínios residenciais, essas são atividades-­fim, e a Súmula 331 permite a terceirização dessas atividades, mas, ao menos em tese, não a obriga.

Em 17 de abril deste ano, cinco dias antes que a Câmara concluísse a aprovação do PL 4.330, o TST, mudando posição que adotara em 2012 ao julgar caso idêntico oriundo de Campinas (SP) envolvendo as mesmas categorias, invalidou esse acordo, dando ganho de causa ao sindicato de empresas terceirizadoras do Distrito Federal e liberando uma terceirização de que os próprios patrões (condomínios residenciais) haviam aceito abrir mão.

Em 2013, 19 dos 27 ministros do TST enviaram ao congresso uma dura carta contra o PL 4.330 e a terceirização. Este mês, vários deles votaram contra os faxineiros e vigilantes dos condomínios de Brasília para liberá­-la.

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Destacado Ano XIII, nº 149, 1ª quinzena de Maio de 2015 Edição Impressa Sun, 03 May 2015 23:56:54 +0000
Camponeses protestam por direitos e justiça http://anovademocracia.com.br/no-149/5877-camponeses-protestam-por-direitos-e-justica http://anovademocracia.com.br/no-149/5877-camponeses-protestam-por-direitos-e-justica

No último dia 9 de abril, camponeses dos municípios de Ariquemes, Vilhena, Corumbiara, Anari, Machadinho e Buritis, em Rondônia, fecharam a BR 364, em Jaru, por 9 horas. Os manifestantes exigiram estradas e pontes de qualidade, escola perto das moradias das famílias, preço justo para a produção camponesa, energia elétrica, regularização das posses camponesas, punição para policiais, pistoleiros e latifundiários mandantes de perseguições, ameaças, sequestros e assassinatos de camponeses. Também denunciaram o assassinato do dirigente camponês Renato Nathan Gonçalves Pereira, que, neste mesmo dia, completou 3 anos sem investigação nem punição dos responsáveis. O protesto contou com o apoio de professores e estudantes da capital Porto Velho e cidades do interior, além de milhares de trabalhadores que se aglomeraram na região em que a ponte foi fechada.

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"O Brasil precisa de uma Grande Revolução", afirma a faixa

O ato foi amplamente divulgado entre a população, pelos panfletos distribuídos e por matérias na internet, rádios e TVs. Durante o bloqueio da rodovia, o povo da região, caminhoneiros e demais motoristas e trabalhadores em geral apoiaram e manifestaram interesse em participar do próximo protesto.

Latifundiários e grandes empresários contabilizaram prejuízos, como o laticínio Italac e o frigorífico Frigon, que ficaram fechados porque seus funcionários não conseguiram chegar ao trabalho devido ao bloqueio da estrada. Um grande supermercado localizado próximo da ponte ficou fechado durante toda a manhã. Uma grande multidão se aglomerou diante do supermercado e seus proprietários do grupo Irmãos Gonçalves, um dos maiores de Rondônia, temiam saques.

A BR só foi liberada com a chegada de representantes da Eletrobras e do Incra, que se reuniram com os camponeses na sede da LCP, por exigência dos manifestantes, sem a presença da polícia. De concreto, foi marcada uma reunião em Jaru no dia 27 de abril, entre camponeses e responsáveis de órgãos federais, estaduais e municipais. Os trabalhadores pediram para os representantes do Incra e da Eletrobras procurarem seus superiores em Brasília, caso não consigam encontrar soluções sozinhos. E avisaram que não aceitarão promessas, nem enrolação, e que, se na próxima reunião não forem apresentadas respostas positivas, concretas e imediatas, vão novamente fechar a BR ou a Eletrobras, mas de forma mais radicalizada.

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Destacado Ano XIII, nº 149, 1ª quinzena de Maio de 2015 Edição Impressa Sun, 03 May 2015 23:18:47 +0000
70 anos da vitória soviética sobre o nazismo: “A glória destes combates não se apagará jamais!” http://anovademocracia.com.br/no-149/5873-70-anos-da-vitoria-sovietica-sobre-o-nazismo-a-gloria-destes-combates-nao-se-apagara-jamais http://anovademocracia.com.br/no-149/5873-70-anos-da-vitoria-sovietica-sobre-o-nazismo-a-gloria-destes-combates-nao-se-apagara-jamais

Em 9 de Maio de 1945, a humanidade progressista celebrava a grandiosa vitória da União Soviética sobre a máquina de guerra mais reacionária que a História havia conhecido até então, o exército imperialista nazifascista do Terceiro Reich de Adolf Hitler.

Em quatro anos de heróica defesa da Pátria Internacionalista do Proletariado, 22 milhões de soviéticos (entre eles milhões de militantes do Partido Comunista da URSS) deram sua cota de sangue pela liberdade, seja nas trincheiras de combates ou nos ataques covardes e indiscriminados lançados pelas hordas nazistas contra a população civil. Sem dúvida — e isto até os historiadores burgueses reconhecem —, a batalha do povo soviético durante a 'Grande Guerra Patriótica', passando por Stalingrado e outros combates lendários, é o maior feito militar da história, façanha que só pôde ser alcançada por um povo amante da liberdade e que tinha como objetivo defender o primeiro Estado socialista que o mundo conheceu.

Justeza, estratégia militar e política, uma direção revolucionária, um povo disposto a pagar o preço da liberdade com a vida: estas foram as razões pelas quais, como diz uma das versões em espanhol do clássico Hino Guerrilheiro, "a glória destes combates não se apagará jamais!". A serpente foi esmagada em Berlim e, naquele 9 de Maio, há 70 anos, a bandeira que tremulava sobre o Reichstag alemão era vermelha com o martelo e a foice.

Pela ocasião, traduzimos para o português um texto que expressa bem o sentimento de vitória naquele Maio de 1945. O texto foi originalmente publicado na revista Literatura Internacional, uma publicação soviética em língua espanhola destinada a divulgar a arte em geral desenvolvida principalmente na URSS nos tempos da II Grande Guerra Imperialista. Há, nas edições da revista, inúmeros relatos de guerra, já que vários artistas, nas condições de membros do Partido Comunista da União Soviética, se alistaram nas tropas para combater a besta nazista e relatar as batalhas. Não sabemos a data da publicação, já que a encadernação que temos em mãos traz várias edições sem as capas.

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Pintura retrata os soldados vermelhos celebrando o Dia da Vitória

"Terminou vitoriosamente a Grande Guerra Patriótica do povo soviético contra os usurpadores germano-fascistas! Chegou para nós a Festa da Vitória longamente esperada.

A vitória! Que doce e emotiva soa a grande palavra Vitória!

A capitulação incondicional das tropas alemãs, assinada em Berlim, desenhou a linha para fazer o resumo final da sangrenta aventura hitlerista.

No primeiro de maio, o grande Stalin chamou os combatentes soviéticos a vencer os ocupantes alemães 'até que eles deixem de resistir'. Se levava a cabo o último assalto ao antro dos bandidos. Nos combates finais, o Exército Vermelho aplastou a fera fascista. Os alemães já não tinham onde manter-se: caiu Berlim, caiu Breslávia, caiu Dresden. Nenhum truque ajudou os aventureiros hitleristas. Os cabecilhas do bando de assassinos hitleristas se dispersavam como ratos, terminando seu sangrento reinado na Europa com a pantomima de uma mudança de roupa. Ao mando militar alemão não restava outra saída senão a de uma completa e incondicional capitulação.

Já não retumbam sobre Moscou as salvas que anunciavam as vitórias na frente. Hoje estão em silêncio os canhões. A vitória foi lograda. O inimigo está prostrado, depôs suas armas e se rendeu à graça dos vencedores.

Hoje o Exército Vermelho entrega ao povo soviético o mais grandioso triunfo da história.

Aceite-o, heróico povo soviético, você merece com honra e glória! Nele está seu constante trabalho de muitos anos, nele estão quatro anos de seus abnegados esforços e privações, nele está o fruto de sua dor, de sua temeridade, de sua valentia, nele está a amargura, a recompensa pela amargura das perdas e destruições. Tu conquistou esta vitória às custas de muitos trabalhos e muito sangue. Que alegria inunda teu coração! Nossa causa justa venceu!

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Foto clássica da bandeira soviética sobre o Reichstag alemão

Este dia passará para a história pelos séculos. Desde hoje, o 9 de maio se converterá para todas as gerações um dia de festa nacional: a Festa da Vitória.

E, no dia da maior felicidade, nosso pensamento se dirige até nosso glorioso Exército Vermelho. Com grande amor, sob a direção do partido de Lenin e Stalin, os homens soviéticos cuidaram de seu Exército Vermelho, a fortaleza de seu país natal, educaram seus filhos para ele, o sustentaram com seu pensamento, o armaram com as invencíveis idéias leninistas-stalinistas, forjaram para ele armas seguras, resistentes, infalíveis. De tudo foi digno o Exército Vermelho: do trabalho, das privações, de nosso amor e nossas esperanças! Durante quatro anos levou sobre si a carga principal na guerra contra o monstro hitlerista. Combateu até o último minuto. E tudo o que realizou o Exército Vermelho para sua Pátria, para os povos da terra, para a liberdade e a paz, ficará para sempre na agradecida memória da humanidade.

A invicta bandeira de Lenin flutuava sobre nosso Exército Vermelho nas batalhas. O invicto gênio de Stalin o conduziu e o fez chegar à vitória. Faltam palavras para expressar toda a profundidade do carinho, do agradecimento e da fidelidade do povo soviético ao seu grande chefe, ao capitão e primeiro trabalhador do país, ao salvador da Pátria, libertador dos povos: ao grande Stalin. O caminho até nossa felicidade foi trazido com seu claro pensamento, com sua vontade de ferro, com sua fé inspiradora nas forças do povo, com seu infinito amor à Pátria soviética. E hoje, como sempre, em todas as provas e alegrias, o povo soviético está formando uma só família, formando um só exército, repetindo, como o mais querido, o mais firme que há sobre a terra: 'Stalin é a vitória!'.

Nada pode se comparar com a festa atual do povo soviético. Porque temos vivido para este dia, esquecendo de nós. Para aniquilar o Estado hitlerista, o exército hitlerista, a ordem hitlerista, para lograr isto empreendeu uma campanha imortal o titânico exército da estrela vermelha. A glória e a valentia lhe acompanharam em suas proezas únicas. E o objetivo foi alcançado. A víbora germano-fascista está derrotada pela arma justiceira. A humanidade tomou para si uma lição grande e inolvidável: somente na amizade dos povos, na unidade de seus esforços, é possível o futuro desenvolvimento do mundo. Encontra-se sem fôlego o império hitlerista, derrubado pela potência soviética. Encontra-se em cinzas e poeira, em vilipêndio e vergonha. Ao encontro de novo dia de paz se alça o radiante povo-titã, povo-vencedor na luz da glória imortal e de sua potência invencível.

Nossa Festa da Vitória é a festa dos povos amantes da liberdade. Os povos do mundo sabem a quem devem a salvação da escravidão fascista.

Viva o País Soviético! Que floresça entre os povos do mundo, ele, que é o baluarte da independência e da liberdade!

Viva a grande vitória de Stalin!"


O legado soviético permanece vivo

Da redação de AND
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Pintura soviética homenageia Stalin e comemora a
vitória da Grande Guerra Patriótica contra o nazismo

Diferente do resto do mundo — onde o monopólio das comunicações vem atiçando através das décadas uma feroz propaganda anticomunista na tentativa de caluniar de forma rasteira os êxitos alcançados pelos povos que viveram sob o socialismo —, na Rússia, o legado dos tempos revolucionários da autêntica União Soviética até meados dos anos 50 ainda permanece na memória de quem viveu na época e dos veteranos que lutaram na Grande Guerra Patriótica, que relatam às novas gerações como era a vida no socialismo.

Um dos registros do que afirmamos, é a fala da veterana Klavdiya Ivanova a um programa de auditório russo (vídeo abaixo). Ao ser questionada sobre a guerra, a ex-combatente relatou:

— Servi desde o primeiro dia da guerra, quero dizer, após o discurso de Stalin em 3 de julho [de 1941]. Nós fomos voluntários, éramos jovens, mas éramos fortes, patriotas e fazíamos tudo em prol do povo, em prol uns dos outros.

Ao ser aplaudida pela platéia, o apresentador pergunta se ela fazia isso em prol do povo ou de Stalin, e a veterana responde:

— Claro que de Stalin, principalmente Stalin. E como não? Ele era nosso líder. Hoje os camaradas aqui tomam outros exemplos, mas vocês, queridos, não têm noção de como ele sabia, como pensava, o que dizia. Não têm noção... A memória do grande, bondoso, sábio, do nosso Stalin, Pai dos Povos, é uma memória que permanece eterna.

Muitos outros vídeos atuais podem ser vistos na internet com homenagens aos líderes soviéticos e aos combatentes antifascistas, onde são desmentidas contundentemente, por quem viveu na URSS, as falsas acusações de "totalitarismo", "ditadura sanguinária" e de que Stalin era um "ditador cruel", entre outras.

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Destacado Ano XIII, nº 149, 1ª quinzena de Maio de 2015 Edição Impressa Sun, 03 May 2015 22:58:22 +0000
Notas internacionais http://anovademocracia.com.br/no-149/5863-notas-internacionais http://anovademocracia.com.br/no-149/5863-notas-internacionais

USA: Baltimore em chamas!

Rafael Gomes Penelas

No fechamento desta edição de AND, recebemos informações das combativas rebeliões populares que incendiaram a cidade de Baltimore, no estado de Maryland, no USA.

O motivo da indignação foi a morte de Freddie Gray, 25 anos, vítima de lesão medular nas dependências de uma prisão em 19/4. O assassinato covarde de mais um jovem negro desencadeou uma onda de protestos que terminaram em violentos confrontos com a polícia, viaturas incendiadas etc. Em 26 de abril, a repressão prendeu 34 pessoas que participavam de protestos, sendo que 12 já haviam sido presas um dia antes, 25/4.

No dia 24, a polícia admitiu que “errou” no procedimento de detenção de Freddie, que, num vídeo, aparece sendo colocado na viatura gritando de dor. Na ocasião, a coluna do rapaz ficou gravemente ferida. A repressão ainda admitiu que, dentro da viatura, o cinto de segurança não estava afivelado, o que, provavelmente, teria provocado o ferimento que o afetou mortalmente.

Estas ondas de protestos não são novidades no USA que, em agosto de 2014 (e meses seguintes), foi palco de renhidos confrontos da juventude negra contra a polícia racista após o assassinato do adolescente Michael Brown na cidade de Ferguson, estado do Missouri. As organizações de defesa dos direitos do povo apontam que estas abordagens e as ações policiais fazem parte das políticas de repressão do Estado ianque contra a juventude e as populações das periferias dos grandes centros urbanos do USA.

No dia do enterro do rapaz, 27/4, ocorreram novos protestos. Na próxima edição de AND traremos mais informações.


Europa: perseguição e prisões de ativistas turcos

Informações de dazibaorojo08.blogspot.com


No dia 15/4, forças especiais da polícia alemã atacaram, simultaneamente, ativistas da Associação dos Trabalhadores Turcos na Europa (ATIK) em Nuremberg, na Alemanha, e também na Suíça. A operação foi realizada pelas forças especiais que, subitamente, arrombaram as portas das casas dos ativistas.

Uma declaração emitida pelo departamento jurídico da ATIK denuncia que a operação foi ordenada pelo Ministério Público em Karlsruhe. A informação mais recente é que a maioria do Conselho Geral da ATIK foi presa arbitrariamente com base em acusações infundadas.

O Conselho Geral da ATIK, as organizações Nova Mulher e Juventude Nova Democracia, ativistas e representantes da ATIK declararam que não se intimidarão ou se calarão diante dessa tentativa de criminalização.

“Essas prisões foram ordenadas pelos imperialistas europeus e do Estado turco. A ATIK não vai parar sua luta democrático-   revolucionária” — afirmaram os ativistas em manifesto de denúncia.

Até o fechamento dessa edição do AND, os ativistas permaneciam arbitrariamente encarcerados.


Liberdade para os presos políticos Mapuche

Informações do periódico El Pueblo, Chile

A repressão contra o povo Mapuche tem se intensificado da forma mais brutal. O periódico El Pueblo, órgão da imprensa popular e democrática do Chile, divulgou, no último mês, uma série de denúncias das perseguições do velho Estado contra suas comunidades, a situação dos presos políticos Mapuche, que estão em greve de fome desde o dia 23 de março na Penitenciária de Angol, e a luta desse bravo povo contra o roubo de suas terras ancestrais.

No dia 6 de abril de 2015, o Lof* Rankilko, da zona de Bajo Malleco, iniciou uma mobilização contra a construção de casas em terras historicamente usurpadas por grandes burgueses e latifundiários. Esses roubos das terras se deram de várias formas, principalmente através de empresas florestais.

Rapidamente, as forças armadas do velho Estado burguês e  latifundiário foram mobilizadas reprimindo brutalmente os manifestantes com disparos, bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. Nessa ocasião, o werkén (considerado uma autoridade pelo povo Mapuche) do Lof, Rodrigo Curipán Levipán e Guido Barras Nahuel foram presos. Esses lutadores foram libertados depois de serem mantidos reféns durante várias horas sem que seu paradeiro fosse revelado pelas forças de repressão.

Em resposta a essas medidas antipovo do velho Estado chileno, a comunidade de Rankilko fez um chamamento para uma grande mobilização e protesto que ocorreu no dia 10 de abril, reafirmando sua decisão de continuar firme na luta pela terra. O Comitê de Defesa da Luta do Povo Mapuche repercutiu esse chamamento, convocando os democratas chilenos a se solidarizarem com a luta dos Mapuche levantando as consignas: “Contra a militarização da zona Mapuche! Liberdade para todos os presos políticos Mapuche! Recuperar com luta as terras do povo Mapuche!”.

*Designação dada pelo povo Mapuche às comunidades em que vivem grupos de famílias que se consideram mutuamente aparentadas ou ligadas por um ancestral comum.

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Destacado Ano XIII, nº 149, 1ª quinzena de Maio de 2015 Edição Impressa Sun, 03 May 2015 22:08:10 +0000
Editorial - Lutar contra as medidas antipovo e vende-pátria do governo e pela revolução http://anovademocracia.com.br/no-148/5853-editorial-lutar-contra-as-medidas-antipovo-e-vende-patria-do-governo-e-pela-revolucao http://anovademocracia.com.br/no-148/5853-editorial-lutar-contra-as-medidas-antipovo-e-vende-patria-do-governo-e-pela-revolucao

Após anos de artifícios por deter a inevitável crise de nossa economia semicolonial e semifeudal e das maquiagens para encobrir sua eclosão antes das eleições, a gerência de turno do conglomerado oportunista PT/pecedobê ficou à deriva com seu irrompimento e reduzida sua ação a apagar incêndios aqui e ali. Apesar da insistência de toda a contrapropaganda oficial de suas “realizações”, Dilma, Lula, PT, et caterva, perderam já a credibilidade das próprias classes dominantes e todo seu establishment, aos quais tanto tem ajudado e defendido, e tem questionada e ameaçada a legitimidade do seu gerenciamento, além do baixo apoio popular.

Atarantados, os atuais gerentes do velho Estado seguem descendo a ladeira das medidas antipovo, antioperárias e vende-pátria, enquanto alardeiam e promovem a conhecida chantagem do “perigo de golpe”, como manobra desesperada para se manterem enganchados no aparelho do velho Estado e seus rendosos cargos. E se lançam nisto no intuito de desviar a atenção do povo que desperta politicamente, revoltado com tantas injustiças e abusos, saindo às ruas para manifestar. 

A oposição dentro do Partido Único, claro, se aproveita e envida esforços para desgastar ainda mais Dilma, PT e toda corriola, principalmente com o discurso moralista e hipócrita de anticorrupção, e no congresso, onde o PMDB cobra um preço cada vez mais alto por seu “governismo”, especialmente quando se trata de suas exigências por nacos cada vez maiores na máquina do velho Estado em troca de seu apoio.

Ao lado disso, grupos de extrema-direita e viúvas do regime militar, alguns sem representação parlamentar ou representatividade qualquer, atacam os oportunistas na gerência do Estado tachando-os de “comunistas”, “de esquerda”, etc. Tal epíteto não poderia ser mais mentiroso, posto que o seu “governo” não passa de mero serviçal do imperialismo, da grande burguesia e dos latifundiários, os verdadeiros donos do Estado, assim como a gerência PSDB e todas as outras anteriores ou quaisquer outras que venham pela via da farsa eleitoral e do golpismo militar.

Se fazem um discurso à “esquerda” para enganar incautos, nunca tomaram uma medida sequer de mudança na estrutura da sociedade, algo que denotasse uma mudança no caráter do Estado, ademais algo impossível de ser feito pela via institucional, como pregam seus acólitos. Porém, e isso é a mais pura verdade, esses oportunistas são responsáveis por enlamear as palavras esquerda e comunista, falando em nome da esquerda e cometendo os maiores crimes contra o povo e a nação.

Por essas e outras, cada vez mais setores dos “movimentos sociais” cooptados, por pressão dos trabalhadores vão rompendo pela esquerda com o oportunismo. A descarada corporativização desses movimentos e direções domesticados vai se esboroando na medida em que suas bases vão percebendo as coisas e se retiram, desiludidas com qualquer coisa que possa vir desse velho Estado e seus gerenciamentos de turno, para compor o campo da luta popular por reais mudanças.

Um caso emblemático de como o campo oportunista vai soltando pedaços foi a ruptura do sindicato dos professores públicos do Rio Grande do Sul com a CUT no fim de março, apesar de todas as manobras da direção para evitar o debate e a votação da proposta, aprovada em assembleia.

E isso vem ocorrendo já há alguns anos, com as massas se levantando e atropelando direções sindicais pelegas, enfrentando patrões, governos, a criminalização e o judiciário, algumas vezes arrancando vitórias memoráveis, como os garis do Rio de Janeiro em 2014.

Igualmente no campo, as massas de camponeses pobres, que pararam de lutar debaixo do recrudescimento da pistolagem latifundiária e da repressão estatal com a gerência petista, estão fartas da ladainha da falida “reforma agrária” do governo, da subserviência do judiciário aos latifundiários e da continuidade da sistemática e brutal violência contra o movimento camponês.

E de nada adianta os malabarismos teóricos sobre uma “reforma agrária popular”, como prega a direção do MST para abandonar a tática de ocupar os latifúndios, quando suas bases e setores de direções regionais clamam por combatividade e efetiva luta pela terra. Prova disso é que, eventualmente, saem do controle e causam problemas tanto para a gerência oportunista como para a direção do MST, que tem que ficar se explicando.

A ebulição social tende a aumentar quanto mais a crise se aprofunda, com demissões em massa, corte de direitos, carestia e aumento da miséria. No entanto, isso por si não é sinal de triunfo algum, se não se construir e fortalecer uma direção classista e combativa.

É urgente empenhar esforços por elevar politicamente a consciência das massas nessas lutas localizadas sobre a necessidade da greve geral para derrubar os pacotaços das gerências de turno (federal, estaduais e municipais) e as medidas antipovo, antioperárias e antinacionais. Já se observam alguns setores agitando essa bandeira, a única justa em meio a tanta confusão provocada por oportunistas, fascistas declarados e descarados e o reacionário monopólio da imprensa.

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Destacado Ano XIII, nº 148, 1ª quinzena de Abril de 2015 Edição Impressa Tue, 07 Apr 2015 21:23:33 +0000
A velha cultura da picaretagem e do achaque http://anovademocracia.com.br/no-148/5852-a-velha-cultura-da-picaretagem-e-do-achaque http://anovademocracia.com.br/no-148/5852-a-velha-cultura-da-picaretagem-e-do-achaque

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Uma comédia em três atos:

No primeiro, o recém-nomeado ministro da educação Cid Gomes vai ao Pará e num encontro com estudantes declara que no congresso existem cerca de quatrocentos ou trezentos achacadores. Até aí, nenhuma novidade, ademais do fato de ter sido intimado pelo presidente da câmara para esclarecer suas declarações.

No segundo, o ministro, contrariando a orientação do Palácio do Planalto, segundo a qual deveria pedir desculpas às suas excelências, resolve confirmar tudo e ainda exortar aos nobres deputados da situação, que fazem papel de oposição, a largarem o osso. Ao falar o que queria, teve que ouvir o que não queria quando, em torno do microfone de aparte, formou-se uma aguerrida tropa de defensores da honra parlamentar, desqualificando o orador por haver o mesmo achacado os cofres do estado do Ceará, quando contratou um show de Ivete Sangalo por R$ 650.000,00; por ter alugado um avião com dinheiro público para passear com a família na Europa e por ter feito uma exagerada encomenda de lagosta e camarões para se refestelar em palácio, entre outras extravagâncias achacadoras.

O terceiro ato fecha a comédia, quando o presidente da câmara, Eduardo Cunha, apontado pelo ministro como componente da lista dos achacadores da Petrobras, anuncia ao plenário da Casa a demissão de Cid Gomes por Dilma Rousseff. Eis um roteiro perfeito para uma comédia pastelão.

O parlamento numa semicolônia

Ao derrotar a nobreza assumindo o poder do Estado, a burguesia adotou a forma parlamentar como expressão de sua democracia, ou ditadura de classe, sob o apanágio de eleições tocadas a dinheiro. Principalmente após o surgimento do imperialismo, o parlamento do punhado de países dominantes foi composto, em sua maioria, por representantes de seus monopólios, legislando em causa própria como se fora o interesse nacional.

Na imensa maioria dos países, jogados na condição semicolonial, o parlamento (assim como a constituição e os poderes executivo e judiciário) não passa de uma fachada a encobrir a subjugação nacional imposta pelo imperialismo. Nestes países as classes dominantes autóctones, desprovidas de qualquer sentido de soberania nacional, ocupam as cadeiras de seus parlamentos com o fito principal de homologar as determinações emanadas da matriz imperialista e secundariamente dividir entre si as sobras da derrama.

Mas a base disto está em que, à diferença dos chamados países desenvolvidos, onde a democracia burguesa (ainda que hoje já bem anquilosada) teve origem num processo revolucionário que conformou cultura e funcionamento democrático-burguês, o Brasil não tem cultura democrática nenhuma. Os primeiros são assim porque são países de fato capitalistas, ao contrário dos nossos, cuja revolução democrático-burguesa nunca se desenvolveu como segue pendente, subjugados que foram (e seguem sendo) por estes que, apoiando-se na atrasada base semifeudal e condição semicolonial, impulsionaram neles um capitalismo burocrático. Neles os regimes militares e populistas, ambos fascistas, prevalecem se alternando com períodos de precários regimes demoliberais.

Nessa carência da cultura democrático-burguesa, a corrupção, tal como os desmandos é a forma e meio por excelência de funcionamento do Estado e não só dele, mas de toda a vida privada. Por essas causas, mais que nos países desenvolvidos, a corrupção se fez inerente, invariável e inevitável, tal como são os escândalos que surgem de tempos em tempos.

As acusações de corrupção são a forma principal de que se reveste a pugna entre os grupos de poder das frações das classes dominantes. Por isto que de vez em quando são atirados à luz do dia certas quantidades deste monturo na forma de grandes escândalos. A história política do Brasil até aqui está feita, por um lado, da ação a ferro e fogo pelo velho Estado de grandes burgueses e latifundiários em genocídios das massas e no esmagamento das suas tentativas de levantamento contra a exploração, opressão e entrega da riqueza nacional às potências estrangeiras. E por outro, pelas crises das pugnas entre os grupos de poder das frações das classes dominantes, que se digladiam pelo domínio da máquina estatal através da acusação mútua de prática da corrupção, com que busca-se a comoção de toda a sociedade na exposição pública de grandes escândalos derrotar um oponente na farsa eleitoral ou mesmo derrubar governos.

No estancamento e pendência da revolução democrático-burguesa no país está a razão de as pugnas entre as diferentes siglas partidárias do sistema político oficial nunca se baterem nas questões de política econômica, entre os interesses nacionais e estrangeiros, entre os interesses das classes exploradas e as exploradoras.

Assim, o fortalecimento da condição semicolonial do país se apóia numa base semifeudal, ambas conformando o modelo de capitalismo burocrático, responsável por uma cultura de privilégios manifesta de forma multifacética como o patrimonialismo, o compadrismo, o coronelismo, nepotismo e outras formas de fisiologismo.

A grande burguesia e os latifundiários, ademais da exploração do trabalho do povo, usam o seu poder de elaborar as leis para efetuarem sob as mais diferentes rubricas a transferência dos recursos, extraídos da população via escorchantes impostos, para encher as burras do imperialismo e para si mesmos.  Além de auferirem lucros e juros estratosféricos, são beneficiados, legalmente, por royalties, remessas de lucro, assistência técnica, incentivos fiscais, privatizações, empréstimos subsidiados, altos salários, anistia de dívidas, políticas cambiais e outras que sua nefasta imaginação legiferante possa produzir.

Não satisfeitos de se adonarem sob formas “legais” do patrimônio público, avançam mais ainda sobre ele através de métodos de corrupção ativa e passiva como propinas, comissões e caixa dois, praticados pelos parlamentares ou por seus apaniguados indicados para ocuparem cargos de primeiro, segundo e terceiro escalões tanto na esfera federal como estadual e municipal.

Em conluio com empreiteiras e outros fornecedores, cada obra realizada, cada produto adquirido, cada serviço contratado têm seu valor superfaturado para propiciar a parcela que irá saciar a voracidade dos políticos, sejam os ocupantes de cargos executivos como prefeitos, governadores e presidente da república como no legislativo com vereadores, deputados estaduais e federais e senadores. Isto sem deixar de fora o judiciário, que tem sua forma própria de praticar a corrupção.

“Rouba, mas faz”

Desde o império, os críticos da sociedade de então destacavam os políticos como alvo principal de seus ataques. Sem gasto de eufemismo como desvio, subtração ou apropriação indébita, os políticos eram mesmo chamados de ladrões. Com a chegada da república a expressão “todo político é ladrão” se popularizou pelo país adentro.

Um dos movimentos mais importantes do início do século XX, o Tenentismo, em luta contra a “velha república”, não poupava a chamada “classe política” como a verdadeira responsável pelo atraso e pela miséria existente em nosso país.

Com malversações tão acintosas e descaradas não restou aos surrupiadores do patrimônio público, como Ademar de Barros, depois Maluf e depois Quércia (para falar só de São Paulo), cunharem o slogan “rouba, mas faz”. Mais que um slogan, esta expressão se incorporou à cultura política do país de modo a que passou a ser muito comum os defensores das candidaturas de determinados políticos usarem-na como uma vantagem de seu candidato. Da mesma forma que governos foram derrubados mediante golpes militares alimentados por denúncias e escândalos de corrupção, como os governos constitucionais de Vargas e de Jango. Enfim, deste câncer nutrido pela natureza semicolonial e semifeudal da sociedade e Estado brasileiros se cunhou o axioma de “jeitinho brasileiro”, cultuado como idiossincrasia e talento nacional.

Só a Revolução varrerá a corrupção

Depois de ver triunfar as diversas frações do Partido Único, através da farsa eleitoral, onde o dinheiro sujo da corrupção é o que determina o gerente de turno e seus convivas parlamentares, parcela cada vez maior do povo vai elevando sua consciência sobre a realidade de nosso país e concluindo que é chegada a hora de uma ruptura revolucionária com esta degeneração que aí está.

O monopólio de imprensa, como porta-voz do imperialismo e dos grandes burgueses e latifundiários, tenta apagar da memória do povo os gerenciamentos de seus amos, assim como o oportunismo petista. Ao debitar todas as mazelas ao passado, eximindo-se de suas falcatruas no presente, irmanam-se na apresentação de propostas de mudanças cosméticas na legislação, com o intuito de continuarem a se revezar no gerenciamento da velha e apodrecida máquina estatal.

Toda esta podridão e velha cultura apodrecida só podem ser varridas pela revolução democrática. Não nos enganemos com falsas polarizações. Preparemo-nos para a luta decisiva.

Apostemos na capacidade do povo de se organizar e ir demolindo, parte por parte, esta politicalha, seu velho Estado putrefato e toda esta economia feita de subjugação ao imperialismo, ao latifúndio e ao capitalismo burocrático. Ao tempo que vá construindo com a nova política revolucionária o novo Estado Popular com base numa nova economia autocentrada e soberana, até edificá-lo em todo o país. Apostemos, pois, na construção do partido revolucionário do proletariado para traçar o caminho da Revolução de Nova Democracia e o Brasil Novo.

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Destacado Ano XIII, nº 148, 1ª quinzena de Abril de 2015 Edição Impressa Tue, 07 Apr 2015 21:21:19 +0000
Norambuena transferido para Rondônia http://anovademocracia.com.br/no-148/5834-norambuena-transferido-para-rondonia http://anovademocracia.com.br/no-148/5834-norambuena-transferido-para-rondonia

Mauricio Hernández Norambuena, o “Comandante Ramiro”, como é conhecido entre seus companheiros, dirigente da Frente Patriótica Manuel Rodriguez (FPMR) do Chile nos anos de 1970 e 1980, é preso politico do velho Estado brasileiro, há 13 anos mantido ilegalmente no Regime de Disciplinar Diferenciado (RDD). Situação carcerária de extremo “isolamento e aniquilamento”, conforme denunciou sua irmã ao anunciar a recente transferência de Mauricio para a Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia.

Nesta penitenciária, um módulo tem 12 celas de isolamento, onde também vigora o brutal regime do RDD, cujo modelo fascista, segundo denunciam seus familiares, é:

• Uma cela de 3 por 2 metros, com uma cama e banheiro;

• Duas horas diárias de banho de sol solitário em um pequeno pátio completamente isolado;

• Visitas semanais permitidas somente a seus irmãos, por três horas;

• Nenhum acesso a jornais, TV, rádio, etc.;

• Acesso a somente um livro por semana;

• Nenhum contato com outros presos.

Laura Hernández Norambuena, irmã de Mauricio, denuncia que a nova transferência tem como objetivo dificultar o contato com seu advogado e com a família. Mesmo tendo sido transferido para um local muito distante, permanecem as mesmas condições degradantes que visam “isolar e aniquilar” o preso.

Segundo a lei de Execuções Penais, um preso só pode ser mantido no RDD por 365 dias. No entanto, o preso político é mantido ilegalmente nessas condições quando já deveria estar em regime semiaberto, sem a necessidade de cumprir o restante da pena em presídios brasileiros.

Laura afirmou, em vídeo, que os familiares, advogados e amigos de Norambuena, bem como organizações em defesa de sua vida e liberdade, estão preocupados com sua saúde e integridade física, e pede que se reforce no Brasil, no Chile em todos os países a luta em sua defesa.

O Comandante Ramiro

Maurício Normabuena era professor de educação física em Valparaíso, no Chile, quando ocorreu o golpe militar e se instalou o regime fascista de Augusto Pinochet. Ingressou nas fileiras da Juventude Comunista, em 1976, e na Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR) em 1983.

Em setembro de 1986, tomou parte em uma ação armada que tinha como objetivo aniquilar Pinochet, quando o fascista saía de sua casa de campo. O grupo de 25 militantes cercou e atacou a comitiva de oito carros e duas motocicletas que o conduzia. Dez oficiais das forças armadas reacionárias foram aniquilados, mas o carro em que Pinochet estava conseguiu escapar.

Em 1993, Norambuena foi preso e condenado a duas prisões perpétuas por “responsabilidade intelectual” em ações da FPMR.

No começo da década de 90, a FPMR aniquilou o senador Jaime Guzmán, importante colaborador do regime militar, e sequestrou Cristián Edwards, herdeiro do diário El Mercurio, um dos maiores jornais chilenos.

Em dezembro de 1996, presos políticos da FPMR executaram um ousado plano de fuga, taxado como “cinematográfico” pelo monopólio da imprensa, do Presídio de Alta Segurança de Santiago, com a colaboração do Exército Republicano Irlandês (IRA). Um helicóptero lançou uma cesta blindada dentro do presídio, resgatando os presos políticos, entre eles Maurício Norambuena. O resgate foi relatado no filme “El Gran Escape”, de 2006.

Em fevereiro de 2002, Norambuena e outras 5 pessoas foram presas no município de Serra Negra, a 150 km de São Paulo, acusados pelo sequestro do publicitário Washington Olivetto.

Cercado pelas forças de repressão, firme e sereno, convicto de suas responsabilidades como militante revolucionário, ele se entregou assumindo total responsabilidade pelo sequestro. Na ocasião, Alfredo Augusto Canales Moreno também foi preso por participação nas negociações de resgate do empresário.

Norambuena então foi condenado, em primeira instância, a 16 anos de reclusão por “extorsão mediante sequestro”, porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo, reformando a sentença, alterou a pena para 30 anos de reclusão.

Em dezembro de 2003, foi sancionada a Lei n. 10.792, que instituiu o Regime Disciplinar Diferenciado. Norambuena foi imediatamente transferido para a Penitenciária de Presidente Bernardes. Transferido para outras penitenciárias algumas vezes, ele jamais deixou de ser mantido sob tal regime até os dias atuais.

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Destacado Ano XIII, nº 148, 1ª quinzena de Abril de 2015 Edição Impressa Tue, 07 Apr 2015 18:26:54 +0000
Editorial - Mobilizar o povo e rechaçar a velha política http://anovademocracia.com.br/no-147/5827-editorial-mobilizar-o-povo-e-rechacar-a-velha-politica http://anovademocracia.com.br/no-147/5827-editorial-mobilizar-o-povo-e-rechacar-a-velha-politica

As manifestações dos dias 13 e 15 de março polarizaram o comentário político dos dias seguintes e demonstram algumas verdades inconvenientes para o oportunismo e preocupantes para os verdadeiros democratas e revolucionários de nosso país.

Os protestos do dia 13, convocados pelas centrais sindicais e outros movimentos sociais chapa- branca, CUT à frente, em apoio ao governo, comprovaram o que já se sabe há mais de dez anos. O oportunismo eleitoreiro perdeu a conexão com as massas e não é mais capaz de mobilizá-las. Reuniram fundamentalmente ativistas e funcionários destes movimentos e dos partidos da “esquerda” oportunista eleitoreira. O pouco de massas participantes foi mobilizado dias antes em reivindicações específicas. E, mesmo assim, os movimentos sociais cooptados presentes tiveram que criticar, ainda que adocicadamente, o “governo” por suas medidas antipovo mais flagrantes.

Já as manifestações do dia 15, contra o governo, convocadas via redes de internet por uma frente de pessoas, grupos e movimentos que se caracterizam por “apolíticos”, nacionalistas e outros assumidamente reacionários, da direita tradicional anticomunista visceral, viúvas do regime militar e vivandeiras de quartel, tiveram presença massiva. Estas reuniram centenas de milhares de pessoas em todo o país, mobilizando gente principalmente das pequena e média burguesias, tão numerosas quanto de peso proeminente na formação de opinião pública. Ademais de muita gente que não votou em Dilma, seguramente participaram também eleitores do PT arrependidos e decepcionados com o estelionato eleitoral do partido.

De qualquer forma, o crescente sentimento anti-PT, que a sigla e toda sua órbita ainda tentam, de forma religiosa, desqualificar como “coisa da direita”, começa a ganhar, se não forma, mas volume incompatível com os gracejos de “coisa de rico”, como se seu governo não fosse de direita e para os ricos. Aliás, os verdadeiramente ricos, como os bancos, as transnacionais, os latifundiários, usineiros e congêneres do “agronegócio”, estes não estavam nas ruas no dia 15 de março, porque apoiam a gerência petista, não por simpatia gratuita, mas pelos excelentes serviços a eles prestados.

Toda gritaria histérica que se repetiu pelos meios da “blogosfera progressista” bancada pelo PT, bem como pela guerrilha virtual de seus militantes nas redes sociais na internet, agora já de olhos arregalados e frio na barriga, de que o “golpe da direita” se avizinha, o “fascismo está crescendo”, etc., só é uma tentativa de esconder seu grande e grosso rabo fascista. Seja o envergonhado, ou mesmo descarado, de quem envia tropas do exército para ocupar bairros pobres, a militarização de toda sociedade, promove matança de lideranças no campo, perseguição de movimentos populares não domesticados e mesmo prisões políticas da juventude combatente, obras feitas para justificar sua vil conduta vende-pátria de levar ao extremo a desnacionalização e a desindustrialização da economia, sua primarização completa, a carestia e o sucateamento da saúde e educação públicas.



A reação de Dilma e seu séquito à manifestação do dia 15 foi no mesmo tom inócuo com que prometeu as medidas durante os protestos de junho, entre as quais “reforma política”. Aliás, essa ensebada “reforma política” irrealizável é o mantra sagrado com o qual o PT e toda a “esquerda” oportunista eleitoreira, inclusive de oposição, pretende agora hipnotizar incautos. E, diga-se de passagem, sob governos de turno dos grandes burgueses e latifundiários a serviço do imperialismo, como no Brasil, “Reforma Política” e “Assembleia Constituinte” não são mais que novas versões da farsa eleitoral.

Em sua desfaçatez e pusilanimidade, e tentando manter pose olímpica enquanto o barco afunda, Dilma, para dourar a pílula dessa podre democracia, teve o desplante de afirmar que hoje no Brasil ninguém mais é perseguido por participar de manifestações, protestos e greves. Logo agora que a repressão do velho Estado prende, processa e condena jovens que se rebelam contra todo este estado de coisas.

As duas manifestações, pelos seus conteúdos, bandeiras e reivindicações levantadas, não defenderam os interesses das amplas massas trabalhadoras da cidade e do campo, tampouco da independência e soberania nacionais. Uma, governista, não vai além de apelos contra o que consideram “retrocesso” do “pacotaço” de Dilma. A outra delira com a ideia de que mudar o partido no governo é a solução.

Uma foi a cantilena de sempre de uma “esquerda” reformista eleitoreira que nada tem mais de esquerda; reformismo de retórica e oportunismo sem limites, toda ela empantanada em sua burocratização. A outra, mais uma festa de tipo cívico-patriótica, onde se cantou dezenas de vezes o hino nacional e um repúdio à corrupção desbragada meramente moralista. Ambas elogiadas como manifestações pacíficas e ordeiras.

Nota-se nitidamente que, ao contrário destas, as manifestações das jornadas desatadas em junho de 2013, combativas desde o início, foram se modulando pelos alvos que unificaram e sob os quais verteu-se a fúria popular: os bancos, as corporações transnacionais e, claro, as casas que abrigam as instituições apodrecidas que gerenciam o país: o Congresso Nacional, Assembleias Legislativas, Câmaras de Vereadores, palácios de governos e prefeituras, além de sedes do poder judiciário e das forças repressivas do velho Estado. Nos bairros populares com os bloqueios de ruas e avenidas, no campo com cortes de rodovias. E, óbvio, tachadas pelo monopólio da imprensa como violentas, na medida em que fracassaram seus intentos de manipulá-las, mereceram a mais brutal repressão e uma cruzada midiático-jurídica de criminalização.

Se o tempo parasse e ficássemos somente nestas manifestações, diríamos que as jornadas de junho sacudiram o que há de velho e putrefato no país e encheu de temor os “poderosos”. As de agora acomodam o pântano e tranquilizam os adoradores da falsa democracia vigente. Em aparência, as duas manifestações recentes foram uma a favor do atual governo e outra contra. Mas, mirando mais ao fundo, a crise e agitação política crescem e é um processo de salto na politização geral da sociedade, sintomas de uma situação revolucionária que está se desenvolvendo no país e que não cessará tão cedo.

Assim como não há o que defender na gerência petista o que lhe resta das bandeiras já rotas do assistencialismo do “Bolsa Família” e das maravilhosas promessa do “Pré-Sal”, embarcar no canto de sereia de impeachment ou mesmo no devaneio golpista, não mudará nada a situação das classes trabalhadoras e subjugação da nação. Muito ao contrário, aí está no que deu o “Fora Collor”: o reforço das ilusões no sistema vigente que ora afunda o país. E quanto aos 21 anos de regime militar que infelicitou a nação, sem comentários.

As forças políticas do país cada dia mais serão colocadas à prova diante de crescentes e massivas manifestações.

Uma indicação do exemplo a seguir vem dos professores paranaenses, dos garis e operários do Comperj, no Rio de Janeiro, e diversas outras categorias que decidem por greves combativas e independentes das direções sindicais pelegas e partidos eleitoreiros. Começam a soar os apelos por uma greve geral. Impulsionar as tomadas de terra, apoiar decididamente o movimento camponês combativo que se bate pela revolução agrária e fortalecer a aliança operário-camponesa forjará o caminho novo.

Cabe aos revolucionários e verdadeiros democratas e patriotas elevar suas tarefas políticas de organização e propaganda fundindo-se com as massas em mobilização, levantando alto o programa de transformações democráticas para varrer toda a dominação dos grandes burgueses, latifundiários e do imperialismo sobre nosso heroico povo e sobre nossa Pátria. Para desmascarar todos os oportunistas da falsa “esquerda” e da direita declarada, que se empenharão cada vez mais, e com o concurso do monopólio de imprensa, em desviar o povo do único caminho possível para operar as transformações historicamente demandadas e nunca realizadas: a revolução democrática agrária anti-imperialista.

A revolução popular para liquidar com o latifúndio e entregar a terra aos camponeses pobres sem terra ou com pouca terra; confiscar todo o grande capital e proteger a pequena e média propriedades; romper as relações de dominação e subjugação pelo imperialismo e defender a soberania e independência do país; impulsionar a cultura nacional, científica e de massas; e destinar todos os recursos para o bem estar geral do povo e a prosperidade da Nação. Enfim, liquidar o velho Estado burocrático e genocida e edificar um novo Estado democrático-popular para realizar uma Nova Democracia.

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Destacado Ano XIII, nº 147, 2ª quinzena de Março de 2015 Edição Impressa Wed, 18 Mar 2015 22:47:55 +0000
FMI vai ao Planalto ditar ordens a Dilma http://anovademocracia.com.br/no-147/5826-fmi-vai-ao-planalto-ditar-ordens-a-dilma http://anovademocracia.com.br/no-147/5826-fmi-vai-ao-planalto-ditar-ordens-a-dilma

Em nossos textos nesta página do AND, temos usado à exaustão a expressão “política de subjugação nacional” para tentar passar aos leitores a real dimensão do significado de uma prática levada a efeito pelos gerentes de turno do velho Estado brasileiro. São ações derivadas da condição semicolonial e semifeudal que albergam o capitalismo burocrático, tipo de capitalismo engendrado pelo imperialismo como forma necessária para impor sua dominação e exploração, as quais tais gerenciamentos docilmente se submetem como preço a pagar pelas chances que lhes foram permitidas de ocupar tal posição.

O acelerado aprofundamento da crise geral, artificialmente maquiada e contida pelos sucessivos gerenciamentos de turno (particularmente pelo de Dilma/PT), vem sacudindo o país. Crise cujos fundamentos econômicos, políticos, sociais e morais são a expressão maior do apodrecimento do velho Estado, e com isso estabeleceu-se certo clima de salve-se quem puder.

Em meio ao arranca-rabo dentro do Partido Único na briga por mais cargos e poder de mando, das denúncias de premiados delatores sobre o roubo na Petrobras e da divulgação da lista dos políticos empantanados no mar de lama, a situação vai se tornando mais caótica com o aumento da inflação, aprofundamento da recessão, elevação do desemprego, falta de água e de luz.

Por outro lado, o povo marca seu protesto com manifestações localizadas nas favelas e bairros periféricos, greve de caminhoneiros, de professores, metalúrgicos e funcionários públicos, ademais das ininterruptas tomadas de terras pelos camponeses pobres sem terra, tendo invariavelmente como resposta do Estado a repressão cada vez mais brutal.

Quando o diabo não vem manda o secretario

Na base da “farinha pouca meu pirão primeiro”, o imperialismo procura garantir o seu quinhão, fazendo sua descarada intervenção, não só indicando os “Chicago boys” para ocupar os postos de mando da economia, como enviando os cães de guarda do FMI para supervisioná-los. Assim, de repente, desembarcam no Brasil as agências de classificação de risco, gentilmente recebidas pelo Banco Central com a elevação da taxa Selic de juros para 12,75%.

Essas agências, entre as quais se destacam a Moody’s, a Fitch e a Standard & Poor’s, são uma espécie de SPC (serviço de proteção ao crédito) para os países, bancos e grandes empresas e funcionam como instrumentos do Fundo Monetário Internacional para achacarem os países coloniais e semicoloniais, através de um sistema de notas atribuídas aos países, segundo seu comportamento em relação ao pagamento do serviço da dívida contraída com a oligarquia financeira mundial, através de empréstimos ou colocação no mercado de títulos do tesouro ou similares.

Assim, aqueles que seguem à risca as determinações do FMI quanto à política de subjugação nacional, principalmente no que se refere à imposição do chamado superávit primário (garantindo a farinha primeiro para o pirão do imperialismo), recebem a nota AAA. Nota hipotética jamais alcançada pelas semicolônias como o Brasil, para as quais sempre são colocadas mais e mais exigências como forma de achacar ao máximo.

Um exemplo de sua manipulação do mercado foi o recente rebaixamento da nota da Petrobras e a consequente queda do preço de suas ações na Bolsa de Valores. Ao nível internacional, não devemos esquecer as ameaças de rebaixamento das notas de países como Grécia, Portugal, Espanha, Rússia e outros para enquadrá-los dentro de leoninas condições de sufoco para o povo, enquanto separam o filé para o imperialismo.

Convém salientar que a atribuição destas notas possui um caráter extremamente subjetivo, uma vez que, na véspera da crise bancária no USA em 2007 e 2008, tais agências atribuíam elevadas notas aos bancos que estavam à beira da falência e que foram socorridos pelo  Estado com vultosas quantias de dinheiro retiradas, logicamente, do erário público.

Fora daqui o FMI, ladrão!

Esta palavra de ordem que caiu em desuso, menos pela continuação do monitoramento de nossa economia pelo FMI e pelo Banco Mundial e mais pela mutreta armada por Luiz Inácio/PT ao trocar a dívida externa pela dívida interna, é bastante conhecida pelos mais velhos que viveram as lutas e manifestações dos tempos do regime militar e seus sucessores até FHC.

Neste período, era comum a sucessão infindável de visitas de missões técnicas do Fundo, enviadas ao Brasil para examinar as contas e propor novas metas a serem cumpridas. Os funcionários do FMI se aboletavam no Ministério da Fazenda e no Banco Central, mexiam e remexiam os papéis e contas do país numa demonstração e comprovação a mais da subjugação nacional e da existência de uma soberania de retórica e mera formalidade. E isso como se fizesse questão de remarcar a condição semicolonial do país, deixando em cada visita seu carimbo e seu selo.

Qualquer semelhança não é mera coincidência: entre os dias 2 e 6 deste mês de março, os técnicos da agência de classificação de risco Standard & Poor’s estiveram no Brasil para supervisionar os planos e contas da equipe econômica para assegurar a sustentabilidade fiscal e a estabilidade monetária. Para tanto se aboletaram nos ministérios do Planejamento, da Fazenda e no Banco Central. Foram ainda recebidos no Palácio do Planalto pelo Ministro da Casa Civil Aloizio Mercadante.

Nos últimos doze anos, apesar da verborragia demagógica e mentirosa de Luiz Inácio de que o Brasil estava livre do FMI, a nossa economia nunca deixou de ser monitorada por ele, utilizando-se das nefastas agências de classificação de risco que faziam suas ameaças e recebiam a encenação de rechaço de membros do oportunismo petista. Agora, com o agravamento da crise, os oportunistas perderam totalmente a compostura, ajoelham-se diante de meros funcionários das agências a implorar-lhes que não rebaixassem as notas da Petrobras e do Brasil.

Em nota divulgada em seu site, o Ministério da Fazenda afirmou que “O objetivo da visita da equipe da S&P é permitir à agência avaliar as perspectivas econômicas do país e a consistência de sua política econômica, buscando consolidar sua percepção sobre a capacidade e a disposição do governo em honrar, completa e pontualmente o serviço de sua dívida. A visão de uma agência de classificação de risco é importante para balizar a decisão de investimento em um país, seja na economia real ou em seus ativos financeiros”.

Acrescenta ainda que “o ministro da Fazenda Joaquim Levy esteve reunido com os representantes da Standard & Poors. As reuniões foram bastante profícuas e produtivas. Na ocasião, as autoridades governamentais apresentaram aos representantes da agência diversas medidas econômicas que estão sendo implementadas pelo governo, com destaque para as que garantam a sustentabilidade fiscal de médio prazo e a estabilidade monetária, fatores relevantes para a manutenção da confiança dos investidores na economia, condição essencial para o crescimento sustentável e a manutenção dos ganhos sociais conquistados”.

Isto é, de forma simples e banal o Ministro da Fazenda leva a efeito a política de subjugação nacional ao se prostrar diante dos cães de guarda do imperialismo, numa atitude de fazer corar de indignação qualquer um que tenha o menor sentimento patriótico que seja.

Só a Revolução livrará o Brasil das crises e da subjugação nacional

A imprensa dos monopólios gasta toneladas de tinta e milhões de horas de rádio e TV para alardear a corrupção que se opera no varejo, enquanto orquestra a desmoralização e descrédito completo do gerenciamento petista/peemedebista de Dilma, para botá-lo ainda mais submisso às imposições do imperialismo, enquanto vão preparando novos gerentes para serem ungidos na próxima farsa eleitoral. Cabe, portanto, ao movimento popular e revolucionário fazer a denúncia permanente da sangria de que o país foi e continua sendo vítima sob os sucessivos gerenciamentos das várias siglas do Partido Único.

Mas é preciso atentar para o fato de que, quanto mais a crise se agravar, mais os grupos de poder das frações das classes dominantes locais se acusarão mutuamente como corruptos, defendendo todos eles o mesmo programa econômico ditado pelo imperialismo. Dependendo do grau que se chegar a crise econômica e política principalmente, a atmosfera se envenenará e os mesmos monopólios, expressando da forma mais aguda todo o pavor que os exploradores sentem das massas rebeladas, tratarão de turvar as águas da política para preparar as condições e comoção que sirva ao surgimento dos “salvadores da pátria”. E aí sim se poderá falar de golpes militares como possibilidade real.

Desmascarar o oportunismo que se encastelou no velho Estado burguês-latifundiário e ao mesmo tempo rechaçar a canalha de vivandeiras de quartel e toda sua falácia histérica de defesa dos interesses do povo e da nação brasileira, convocar as massas trabalhadoras a mobilizarem-se, preparando com todas as formas de manifestações a greve geral contra os pacotes impostos pelo imperialismo, unir-se com os camponeses que lutam pela terra e pelo fim do latifúndio e agricultores que sofrem com o arrocho e falta de água. Enfim, todos assalariados, operários, empregados, servidores públicos e professores; os autônomos e ambulantes, os micros, pequenos e médios proprietários, os pequenos comerciantes, os estudantes e intelectuais progressistas, a juventude combatente, todos que se acham separados da grande burguesia local, dos latifundiários e das transnacionais pela linha da exploração econômica e opressão política a tomarem as ruas, cortar as rodovias e avenidas, paralisar todo o país e elevar o protesto popular.

Pisar e repisar na denúncia da farsa eleitoral como instrumento do puro cacarejo “democrático” voltado à legitimação da política de subjugação nacional e exploração do nosso povo, levantando bem alto a bandeira da Revolução Democrática, intensificando continuamente, através de coordenações e comitês de luta a mobilização, a politização e a organização cada vez maior das mais amplas  massas, rumo ao levantamento do campo e da cidade no sentido de garantir o poder nas mãos dos que efetivamente desejam uma pátria próspera e independente.

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Destacado Ano XIII, nº 147, 2ª quinzena de Março de 2015 Edição Impressa Wed, 18 Mar 2015 22:45:15 +0000
USA: Ferguson não se rende http://anovademocracia.com.br/no-147/5805-usa-ferguson-nao-se-rende http://anovademocracia.com.br/no-147/5805-usa-ferguson-nao-se-rende

Dois policiais foram baleados na madrugada de 12 de março durante um protesto popular em frente ao departamento de polícia da cidade de Ferguson, no estado de Missouri, onde, em agosto do ano passado, o jovem Michael Brown foi assassinado por um policial provocando grande comoção e revolta nessa e em outras cidades estadunidenses, além de outros países.

Os disparos atingiram os policiais no momento em que as forças de repressão atacavam o protesto popular com bombas de gás de efeito moral. Um dos policiais foi atingido no rosto e o outro nas costas e foram encaminhados para hospitais da região. Ambos receberam tratamento e não correm risco de morrer.

Um dia antes do protesto, o chefe de polícia de Ferguson, Thomas Jackson, foi forçado a renunciar o posto após a divulgação de um relatório que apontou práticas fascistas das forças policiais e de agentes do judiciário local, especialmente contra jovens negros. A renúncia de Jackson é a terceira numa série de demissões de oficiais das forças de repressão em Ferguson em apenas uma semana.


Turquia: milhares protestam por Berkin Elvan

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Manifestantes armados fazem autodefesa de manifestação

Em 11 de março, milhares de pessoas tomaram as ruas em diversas cidades da Turquia e enfrentaram as forças de repressão durante uma autêntica rebelião popular. Essa data marcou dois anos do assassinato do jovem Berkin Elvan, 15 anos, por policiais durante um dos grandes protestos ocorridos em 2013.

No bairro de Okmeydani, em Istambul, onde vivia Berkin Elvan, foram registrados vários confrontos entre manifestantes e policiais. Na capital Ancara, centenas de pessoas protestaram exigindo punição para os assassinos do jovem. Em alguns locais, organizações populares e revolucionárias fizeram autodefesa armada contra a repressão fascista.

Berkin Elvan se tornou um símbolo dos protestos iniciados no Parque Gezi e na Praça Taksim, Istambul. Ele foi gravemente ferido na cabeça por uma bomba de gás lacrimogêneo atirada por um policial em 11/3/2013 e ficou em coma por 269 dias antes de falecer.


Chile: Caimanes em luta

Informações do periódico El Pueblo, Chile

Caimanes é uma localidade chilena situada na comuna de Los Vilos, província de Choapa. Sua população tem se dedicado historicamente a atividades agropecuárias na zona verde do Estuário Pupio.

A Assembleia de Caimanes Mobilizada emitiu comunicado urgente denunciando a ação de parlamentares e “autoridades” que tentam atacar os direitos e a histórica luta do povo para recuperar a água que vem sendo roubada, assim como sua independência e dignidade.

A comunidade declarou não aceitar nem validar negociações ou projetos que estão destruindo os recursos naturais e exige que a Mineradora Los Pelambres devolva o curso natural das águas até o Estuário Pupio, “o Pupio de nosso povo”.

“Não há nada que negociar” — afirmaram os moradores de Caimanes, que apoiam as mobilizações das comunidades do Vale de Choapa em defesa da água se unindo contra o roubo por parte da mineradora Los Pelambres.

Repressão no Vale de Choapa

“Nunca vimos tantos carabineros [agentes da repressão] aqui nessa região: carros blindados, GOPE, EFFEE [divisões especiais da polícia]. Aqui isso não é algo normal” — declarou um morador em matéria publicada no periódico El Pueblo.

A comunidade recorreu à instância máxima da justiça — a Corte Suprema — que determinou que a mineradora Los Pelambres devolvesse o curso das águas até o Pupio. Isso foi em outubro de 2014. Mas até agora a mineradora não acatou a decisão nem pensa em fazê-lo, contando com a cumplicidade e apoio do governo central.

Em 2 de março último, uma mobilização de camponeses foi brutalmente reprimida no setor de Salamanca. No setor de Caimanes, carabineros sitiam toda a região, bloqueando os três acessos a comunidade. Cristian Flores, dirigente de Caimanes, denunciou que “se mantém a ocupação por parte dos carabineros. Um contingente que estava aqui partiu até Salamanca, ao norte, para reprimir as pessoas que protestam lá contra a mineradora Los Pelambres”.

As comunidades prosseguem mobilizadas e realizando protestos em defesa do Vale de Choapa.

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Destacado Ano XIII, nº 147, 2ª quinzena de Março de 2015 Edição Impressa Wed, 18 Mar 2015 21:04:23 +0000
Editorial - A catástrofe que se anuncia e os meios de conjurá-la http://anovademocracia.com.br/no-146/5799-editorial-a-catastrofe-que-se-anuncia-e-os-meios-de-conjura-la http://anovademocracia.com.br/no-146/5799-editorial-a-catastrofe-que-se-anuncia-e-os-meios-de-conjura-la

Iniciados os mandatos da gerenta federal e dos gerentes estaduais, com a crise econômica escancarada a sua frente, não demorou para que os chamados “pacotaços” fossem empurrados goela abaixo da população, que se revoltou em diferentes graus. Sempre de olho na farsa eleitoral, as gerências das diferentes siglas do Partido Único, apesar de estarem fazendo as mesmas coisas, tentam, em vão, se diferenciar no discurso e mobilizar suas bases para se manifestar. Daí que se convencionou, principalmente entre os oportunistas eleitoreiros, tachar como da “direita” protestos como o dos caminhoneiros, que em fevereiro fecharam dezenas de estradas em mais da metade do país.

Com motivos e razões de sobra como tem todo o funcionalismo público federal, estaduais e municipais, os professores e funcionários públicos do Paraná deflagraram greve, enfrentaram a repressão policial e ocuparam a Assembleia Legislativa. O gerente estadual Beto Richa foi obrigado retirar temporariamente seu pacotão de medidas anti-trabalhador e anti-educação. O PT pensa se beneficiar e joga lenha na fogueira da radicalização da luta no estado, porém manejando no intuito de tirar proveito para contrarrestar os movimentos contra Dilma e o PT em termos nacionais.

O fato é que a situação se agrava e discursos não serão capazes de aplacar a revolta das massas que aumenta a cada dia, ainda na forma de greves e protestos relativamente desarticulados, mas que não tardarão a adquirir mais organização à medida que ganham também massividade e quanto mais a crise econômica e política salte mais turbulenta à luz do dia. E de nada adiantarão também lançar epítetos aos movimentos populares no vão intento de vinculá-los a manobras golpistas já fracassadas das viúvas do regime militar fascista.

Contumazes pescadores em águas turvas, ainda assim suas manobras, mesmo se reagrupando em volta de temas como o impeachment de Dilma, jamais atrairão o movimento popular. Dito assim isso é uma obviedade, mas o oportunismo petista trata a todo momento de confundir a opinião pública, principalmente os iludidos ainda com improváveis “reformas”, de que tudo que se dirija contra sua gerência do velho Estado “vem da direita”.

E, ainda que as viúvas do regime militar representem uma ínfima parcela da população, não contam com o apoio das classes dominantes, do latifúndio, da grande burguesia e mesmo do imperialismo, determinante para que seu projeto ganhe vulto. A propósito, o berreiro das vivandeiras de quartel chega ao ridículo, não sendo do ramo (mobilização popular), sua convocação para dita manifestação em 15 de março (não seria 31 de março ou 1º de abril?) apela pelo impeachment de Dilma “como fizemos em 89”. Ora veja!!!

Apesar do que são e da grave crise mundial, o imperialismo e as classes dominantes locais não sofrem de qualquer cegueira quando se trata de defender seus interesses e quanto à situação atual, muito ao contrário, não têm motivo nenhum para querer derrubar a gerência oportunista que tem feito tudo como a ela é ditado, para embarcarem em qualquer aventura golpista. O “governo” PT é exatamente o que essas forças que dominam o povo brasileiro esperam de um serviçal abnegado.

O segundo mandato de Dilma, à medida que toma medidas e mais medidas contra os direitos trabalhistas e previdenciários, aumenta impostos, promove a falência generalizada das pequenas empresas, aumenta abusivamente tarifas, incrementa o genocídio dos pobres nas periferias com a utilização de tropas do exército, reprime protestos com a Força Nacional de Segurança, encarcera a juventude combatente e pretende soterrar a questão agrária afogando em sangue a luta camponesa, dos povos indígenas e remanescentes de quilombolas, assume um viés cada vez mais abertamente fascista.

O que o imperialismo mais precisa, neste momento, é de um serviçal que aplique tais políticas de controle e assegure a dominação imperialista, sempre falando em nome da democracia. E o oportunismo eleitoreiro se presta exatamente a isso, agora que no mundo inteiro sopram os ventos da rebelião, principalmente da juventude.

Mas nada disso impediu que se esgotassem já quase todos os recursos do oportunismo eleitoreiro para se manter à testa do velho Estado brasileiro. Seu ciclo se encerra melancolicamente, acossado por escândalos cada vez mais sujos de corrupção (que em definitivo o iguala a qualquer outra sigla do Partido Único), crises política e econômica profundas, revoltas operárias, camponesas e indígenas cada vez mais combativas.

Os lutadores do povo não podem se enganar. O velho Estado está abalado por mais uma profunda crise que percorre desde seu topo aos seus putrefatos alicerces. Nenhum apelo de salvação desse governo da nova direita contra um suposto golpe de direita é legítimo.

É certo que a crise se aprofundará e o mais provável que com ela a situação se tornará confusa e mesmo muito confusa, pois o jogo das forças da reação, as velhas e as novas, alimentado pela ação deletéria do monopólio de imprensa, buscará como sempre turvar a visão das massas, criar um ambiente de comoção desesperada e disto sacar uma saída salvadora do sistema de exploração e opressão vigente.

A luta popular desde já deve agir de modo a limpar o caminho de toda imundície da politicalha burguesa-latifundiária, desse lixo eleitoreiro; mobilizar, politizar e organizar as massas para atropelar as direções sindicais pelegas; propagar a greve geral por tempo indeterminado contra os pacotaços; agitar,  propagandear e impulsionar a revolução agrária, sacudindo a luta pela terra; levantar os estudantes contra os cortes na educação e toda juventude combatente a tomar outra vez as ruas com decisão e energia centuplicadas, para varrer o fascismo e sua repressão contra os direitos de manifestação e organização.

Nova tempestade se aproxima.

Bem-vinda seja!

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Destacado Ano XIII, nº 146, 1ª quinzena de Março de 2015 Edição Impressa Wed, 04 Mar 2015 19:17:12 +0000
Patranhas para manter a farsa eleitoral http://anovademocracia.com.br/no-146/5798-patranhas-para-manter-a-farsa-eleitoral http://anovademocracia.com.br/no-146/5798-patranhas-para-manter-a-farsa-eleitoral

Historicamente a farsa eleitoral tem proporcionado uma tremenda decepção aos eleitores menos avisados. Sarney e seu “Plano Cruzado”, Collor e o confisco da poupança, Cardoso e o “Plano Real”, Luiz Inácio e a Carta aos brasileiros e Dilma com o novo “pacotão de austeridade”. Todos provocaram profunda indignação tanto em seus eleitores quanto em seus não-eleitores. Estes, por sua vez, sempre procuraram um jeito de vingarem-se de seus trapaceiros, escorraçando Sarney nas ruas, exigindo o impeachment do Collor, gritando ‘Fora FHC’, exigindo a apuração do mensalão de Luiz Inácio e agora exigindo a apuração dos escândalos da Petrobras e até o impeachment de Dilma Rousseff, além da tão prometida e nunca concretizada reforma política. Como se vê, tantas vinganças foram incapazes de alterar a prática política das várias siglas do Partido Único, todas elas unificadas em torno da política de subjugação nacional imposta pelo imperialismo.

O ‘X’ da questão está na debilidade do Partido Revolucionário do Proletariado, em nosso país, em intervir mostrando ao povo que seus problemas fundamentais não serão resolvidos pela via eleitoral, terreno propício à manutenção deste velho e apodrecido Estado burguês-latifundiário, serviçal do imperialismo, em levantar bem alto a bandeira da revolução. Isto porque somente uma revolução democrática, antifeudal e anti-imperialista, dirigida por um partido revolucionário proletário, poderá realizar as profundas transformações demandadas, historicamente atrasadas e favorecidas pela situação revolucionária que se desenvolve no Brasil.

No que deu o impeachment de Collor?

Após confiscar a poupança dos brasileiros e iniciar nova ofensiva vende-pátria processo de privatização e desnacionalização do patrimônio nacional trocado por vis papéis podres , mas em função de seu afã de poder que o levou a chocar-se com grupos poderosos, Collor caiu em desgraça e foi fulminado pelo monopólio de imprensa que o elegera e açulou a opinião pública numa comoção nacional por seu impeachment. Sem uma perspectiva revolucionária e tangida pelo oportunismo eleitoreiro, a juventude pinta a cara e ocupa as ruas, num movimento orquestrado pela Rede Globo que tentava dirigir o processo dentro da “normalidade democrática”.

Saindo Collor, entrou o vice Itamar Franco, ao qual o imperialismo impôs o nome de Cardoso para o ministério das Relações Exteriores e, em seguida, para o Ministério da Fazenda, com a finalidade de fazer a transição da moeda para o Real, mais um plano econômico vendido ao povo como a salvação da lavoura.

Assim, o PSDB assume o gerenciamento do velho Estado brasileiro com Cardoso no posto de gerente.

No que deu eleger Cardoso?

Dar continuidade ao processo de privatização e desnacionalização do patrimônio público, elaborar um simulacro de reforma agrária, socorrer o sistema financeiro enchendo as burras dos bancos e comprar ao congresso um segundo mandato, no início do qual aplicou o golpe da quebra do Real. Desmoralizado, porém, não foi destituído pela campanha ‘Fora FHC’, puxada principalmente pela militância petista com objetivo de eleger Luiz Inácio.

No que deu o “Lula lá”?

Com o PSDB arrastando o PFL e o PMDB para o seu lamaçal e tendo Luiz Inácio escrito a Carta aos Brasileiros (leia-se, Carta ao FMI e ao Banco Mundial), não restou ao imperialismo outra alternativa que conceder ao PT, sob o comando de José Dirceu, a chance de servir:

- Ao latifúndio ao nomear para o Ministério da Agricultura o Presidente da Confederação Nacional da Agricultura, dando prosseguimento ao simulacro de reforma agrária de Cardoso;

- À grande burguesia ao aportar vultosos recursos do BNDES para inflar meia dúzia de empresas a juros subsidiados e favorecer o sistema financeiro com a nomeação do representante do FMI e deputado do PSDB, Henrique Meirelles, para o Banco Central, e;

- Ao imperialismo, principalmente ianque, ao socorrer a indústria automobilística, quebrada na crise de 2008, ademais de seguir à risca as recomendações do FMI e do Banco Mundial, inclusive no que diz respeito às chamadas políticas públicas de inclusão social, como Bolsa Família, Prouni etc.

Para não ficar só por aí, Luiz Inácio armou a maior farra que um gerente já aprontou em mais de cem anos desta República de meia tigela. Farra da renúncia fiscal para a Copa; para os automóveis e eletrodomésticos; farra do crédito com parcelamentos em até 90 meses no crédito consignado e no financiamento de carros; farra na publicidade, batendo todos os recordes em gasto com rádio, jornal, revista e televisão, fazendo a alegria do monopólio de comunicação. Tudo isso para manter o PT no gerenciamento do Estado com Dilma como gerente.

No que deu eleger Dilma?

O primeiro gerenciamento de Dilma Rousseff, após a tremenda irresponsabilidade de Luiz Inácio no manejo do dinheiro do povo, não poderia ser diferente do que de fato aconteceu: potencializada pela crise mundial, a crise na economia brasileira, que segundo Luiz Inácio seria apenas uma “marolinha”, se acelerou de forma tal a materializar velhos fantasmas já conhecidos do povo brasileiro como a inflação, o desemprego e a recessão. Foram quatro anos administrando a ressaca da farra promovida para a sua eleição. Até propostas como a propalada “extinção da miséria” (depois reduzida para “miséria extrema”), a ascensão de suposta classe D para suposta classe C e as baixas taxas de desemprego, tudo foi virando fumaça. Muito embora a propaganda oficial do governo e a propaganda partidária procurassem encobrir tudo para não comprometer sua reeleição.

Tudo isto ao lado do incremento da repressão às massas em luta na cidade e no campo, assumindo a tarefa pró-latifúndio e “agronegócio” de varrer da agenda política do país a questão agrário-camponesa, numa reedição das costumeiras ofensivas reacionárias no campo impulsionadas desde as altas esferas do Estado, no executivo, judiciário e legislativo, e com toda a cobertura dos monopólios de imprensa. Ataques e assassinatos de camponeses, indígenas e remanescentes de quilombolas. Da mesma forma com que apoiaram com extensa publicidade oficial os programas repressivos nas favelas, vilas, como também contra a luta dos operários nas grandes obras do PAC (usinas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, complexos industriais petroleiros de Suape, Comperj etc.).

O clímax de tudo se deu exatamente na campanha eleitoral quando Dilma, acossada pelas candidaturas das demais siglas do Partido Único, tomou ares de “esquerda”, se transformando em “coração valente” denunciou um suposto plano das candidaturas de Aécio Neves e Marina Silva de cortar direitos dos trabalhadores, reduzir salários, aumentar as taxas de juros e outras mazelas mais. Temendo rupturas em suas áreas, golpeou a candidatura de Marina, escolhendo Aécio para o segundo turno. Ganhou por pouco, ficando com apenas cerca de um terço do eleitorado, devido aos elevados números de abstenções, votos brancos e nulos.

E aí começa a debacle: poucos dias depois de eleita anuncia uma equipe ligada ao PSDB para dirigir a economia e aplicar o plano que ela acusara seus concorrentes de planejar para o país. Tal qual o batedor de carteira que sai correndo com o roubo e gritando “pega o ladrão”, não restou a Dilma e ao PT, diante da revolta geral da opinião pública, sair gritando: “olha o golpe, querem dar o golpe”.

E agora José?

Não havia golpe algum. Havia apenas, diante do clamor popular, meia dúzia de reacionários comandados por Bolsonaro, viúvas do regime militar, alardeando a necessidade de uma saída militar. Não encontrando eco para tal aventura, passaram ao plano B, levantando demagogicamente a proposta do impeachment de Dilma, já com manifestações marcadas em aliança com rebotalhos partidários ligados ao DEM e outros partidecos, bem como de grupos sociais arrivistas da classe média. Por sua vez, o PSDB e o PMDB guardam esta carta na manga para uma eventualidade extrema, principalmente depois da chegada de Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados, sendo pouco provável a sua utilização, embora possa ser bem utilizada como instrumento de chantagem. O PT perdeu totalmente a iniciativa. Vendo repudiada pelo congresso a sua empulhação de “reforma política radical”, através de uma constituinte específica, ficou paralisado.

Como sempre acontece quando a política se restringe ao espaço institucional do velho Estado, a reforma política parida pelo atual congresso não passará de mudanças para que tudo continue como está.

Aumentar o protesto popular levantando a bandeira da revolução

Na primeira edição do AND em 2015 trouxemos a chamada de capa: “Anuncia-se um 2015 de lutas”. E já nestes dois primeiros meses tivemos várias demonstrações de como será daqui para frente. Como vimos, motivos não faltam: luta pela terra e assassinatos seletivos no campo, repressão ao povo pobre nas periferia e favelas, remoções, corrupção, juros altos, inflação, desemprego, falta de água, luz, enchentes, deterioração dos sistemas de saúde, de educação e de transporte, falta de moradias etc..

O povo está nas ruas fazendo suas fogueiras e colocando seus protestos e reivindicações e, acima de tudo, repudiando as esfarrapadas bandeiras das várias siglas do Partido Único e seus chegados que tiveram oportunidade de se enganchar no gerenciamento de turno desta semicolônia. Nossa agitação deve sempre convocar o povo a tirar lições destas amargas experiências da institucionalidade imposta pelo latifúndio, pela grande burguesia e pelo imperialismo. Devemos levantar bem alto a bandeira da Revolução de Nova Democracia, mobilizando mais, politizando mais e organizando mais as massas do campo e da cidade.

Nos últimos 30 anos os oportunistas e revisionistas do tipo PT/pecedobê fizeram esforços mancomunados para lançar água fria na situação revolucionária latente no país. Não adiantou nada, agora não dá mais para segurar. A tarefa dos revolucionários é empenhar esforços e luta dura em preparar a revolução.

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Destacado Ano XIII, nº 146, 1ª quinzena de Março de 2015 Edição Impressa Wed, 04 Mar 2015 19:15:47 +0000
Syriza, Podemos, Queremos: o oportunismo de sempre http://anovademocracia.com.br/no-146/5781-syriza-podemos-queremos-o-oportunismo-de-sempre http://anovademocracia.com.br/no-146/5781-syriza-podemos-queremos-o-oportunismo-de-sempre

http://www.anovademocracia.com.br/146/18.jpg

A história recente é pródiga em exemplos de como é possível que das farsas eleitorais realizadas mundo afora surjam retumbantes pantomimas para manter as velhas classes dominantes no poder, mas que tentam se vender por “alternativas”. Ocorre que, ao contrário de como se apresentam ao povo, essas forças e figuras pretensamente fora da curva da “velha política”, elas são, sim e realmente, alternativas, mas não para as massas trabalhadoras ante as políticas antipovo implementadas pelos Estados encabeçados por aqueles representantes mais notórios e antigos dos interesses dos maiores inimigos das classes populares.

São, isto sim, e sobretudo em momentos de grandes dificuldades para o capital, alternativas justamente para dar novas roupagens às velhas estruturas de dominação e opressão, de fome, morte e escravidão, seja no plano nacional, seja no âmbito da divisão internacional do trabalho.

Exemplo recente, crasso e maior disso foi a eleição de Luiz Inácio no Brasil em 2002 como um grande caminho alternativo para revigorar o capitalismo burocrático nacional e, sendo assim, azeitar e ajustar, sob o disfarce da “esquerda”, as engrenagens político-jurídicas deste pobre país para atender à fome cada vez maior de rapina e exploração (remessa de lucros, reserva de matérias-primas e mão de obra barata) por parte dos monopólios internacionais chafurdados na crise, com o mais rasteiro oportunismo atendendo ainda aos mais inconfessáveis interesses e às mais reacionárias demandas do latifúndio e da grande burguesia nacionais.

Outro exemplo foi a própria eleição no USA de Barack Obama, a grande alternativa encontrada pela grande burguesia industrial daquele país para tentar dar uma cara mais amigável, amena, ao imperialismo ianque justamente no momento em que o imperialismo ianque se preparava para ser o mais feroz da história, com o aprofundamento do seu grande projeto de dominação global delineado como único caminho para tentar conter a crise geral de superprodução relativa do capitalismo — a chamada “guerra contra o terror”, com suas invasões, ocupações, provocações, ataques, sabotagens e fomento de guerras civis em várias e várias nações de todo o planeta.

Ora, não seria algo muito parecido com tudo isso o que está acontecendo exatamente agora na Europa devastada pela chamada “crise da dívida” — a nuance local, a forma como lá aflorou de maneira mais clara a crise geral dos monopólios — com a ascensão eleitoreira de uma certa “esquerda radical”?

“Esquerda” essa afeita a disputar — e, logo, a encampar — farsas eleitorais das quais nada de verdadeiramente bom pode sair para as classes populares, e que se fosse “esquerda” de verdade estaria nas ruas ao lado das massas nas agigantadas e inflamadas jornadas de protestos contra o arrocho sem fim, ao invés de se empoleirar nas estruturas do Estado propondo a patranha de conciliar melhor os interesses do grande capital monopolista e as aspirações do povo.

“Esquerda” essa que pouco ou nada fala nas questões de classe — as que realmente importam — e em cujos programas não consta qualquer menção ao objetivo último e missão histórica das classes trabalhadoras, que é pôr fim ao sistema de exploração do homem pelo homem. Ao contrário. Esta “esquerda” não se envergonha de dizer que sua “radicalidade” consiste em propor caminhos alternativos — olha a “alternativa” aí! — para restaurar a saúde do capitalismo nos países onde se viabilizou ou está em vias de se viabilizar no gerenciamento do Estado.

Na dianteira, por assim dizer, da ascensão na Europa do oportunismo dito “antiausteridade” está o Syriza (sigla em grego para Coligação de Esquerda Radical), que acaba de vencer as eleições gerais na Grécia acenando para as massas pauperizadas, humilhadas e arrochadas a mando da Europa do capital monopolista com o rompimento com as políticas antipovo. Políticas estas ditadas pela Troika (FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) aos antecessores do novo “primeiro-ministro” grego, Alexis Tsipras, que menos de um mês depois de tomar posse no cargo disse que afinal concordava “com 70% das exigências dos credores”.

Depois de começar seu turno na gerência do Estado grego anunciando um acordo de “governabilidade” com a direita mais famigerada e de flertar com o imperialismo russo — provavelmente tentando se cacifar melhor para a barganha com a UE —, o Syriza não demorou para sequer conseguir sustentar o cacarejo anti-Europa e anti-FMI com que trilhou a via eleitoreira cavalgando a insatisfação generalizada das massas.

A “esquerda” quer um “voto de confiança” do capital...

Em meados de fevereiro a própria imprensa burguesa da Europa já ironizava a distância olímpica entre a oratória de Tsipras e de seu incensado ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, e a prática daquela camarilha. No dia 11 de fevereiro, o jornal espanhol El País noticiava que:

“Apesar da forte retórica dos últimos dias, o ministro de Finanças, Yanis Varoufakis, apresentará ao Eurogrupo na quarta-feira a proposta do Syriza, que começa a parecer aceitável para os sócios do Eurogrupo.”

E seguia:

“Entre os planos da Grécia não há mais rastros de perdão de dívidas, nem a recusa de um terceiro resgate associado a novas condições, as duas linhas vermelhas que impediam qualquer vislumbre de acordo. As posições começam a se aproximar: a Grécia está disposta a aceitar uma ‘extensão técnica’ do resgate atual até agosto, para chegar a um pacto sobre um novo programa, resgate ou ‘contrato’, como Berlim começa a chamar.”

Em entrevista à rádio Renascença, de Portugal, o eurodeputado do Syriza, Dimitrios Papadimoulis, disse que a Europa precisa de uma espécie de New Deal. Vejam: New Deal. Justamente o grande programa de obras de infraestrutura lançado por Franklin Roosevelt visando preparar o USA para a segunda grande guerra imperialista pela partilha do mundo entre os monopólios das grandes potências. Este é o tipo de ideia difundida por esta “esquerda radical”.

Depois do Syriza, é o partido espanhol ‘Podemos’ a outra força político-eleitoreira que também emerge sob holofotes e sob o chapéu da “nova esquerda europeia” (quem se lembra na “nova esquerda latinoamericana”, tão incensada por certos “revolucionários” e certa intelectualidade, e que na prática foi e é recheada da nata do oportunismo dos trópicos, como Luiz Inácio, Chávez, Morales e que tais?).

Pesquisas sobre intenção de voto já mostram o Podemos alcançando o segundo lugar nas eleições que o Estado espanhol organiza ainda neste ano. No Brasil, “dissidentes” do partido eco-oportunista Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, criaram o ‘Queremos’, inspirados no, digamos, oportunismo de novo tipo europeu, sempre visando participar, legitimar e engrandecer as farsas eleitorais que só atendem ao imperialismo, ao latifúndio, à grande burguesia e a tudo mais quanto é inimigo das massas trabalhadoras. A prioridade dos fundadores deste Queremos é colher assinaturas para conseguir o registro que lhe permita ser mais um a disputar as próximas farsas eleitorais no Brasil.

Assim como, quando perguntado sobre os principais objetivos do Podemos, o líder do novo partido espanhol, Plabo lglesias, sequer se faz de rogado em dizer — ansioso que está para se tornar “primeiro-ministro” — que o principal deles é ganhar as eleições legislativas que devem acontecer até final de 2015, passando ao largo das questões de classe e da urgência quanto à construção de uma democracia verdadeiramente popular na Espanha e nos demais países europeus.

Como o Syriza, o máximo de “radicalidade” que o Podemos coloca sobre a mesa é o aceno com a possibilidade de devolver o capitalismo aos seus níveis, digamos, normais de exploração do homem pelo homem, sem arrochar demasiadamente as massas trabalhadoras a ponto de jogar fogo no palheiro da rebelião generalizada e de, na ponta do lápis da matemática burguesa, colocar a suposta “recuperação” a perder — como se de uma forma ou de outra fosse possível reverter a crise geral que já vem de décadas e que se agrava inexoravelmente ano após ano.

Assim como Luiz Inácio tentou fazer a rapina dos monopólios na semicolônia Brasil mais palatável; assim como Obama tenta fazer o imperialismo ianque parecer mais ameno.

Não por acaso já começam a aparecer aqui e ali velhas raposas da política europeia e renomados economistas burgueses dizendo que talvez seja o caso de dar-lhes, aos Syrizas da vida, um “voto de confiança”, justamente a expressão usada por Panos Kammenos, o líder do fascista ANEL, para justificar a aliança da “extrema-direita” com a “extrema-esquerda” na Grécia.

No dia 8 de fevereiro, por exemplo, o “chanceler” da Áustria, Werner Faymann, saiu a dizer que a “abordagem anticrise” do Syriza é mais inteligente do que a “austeridade” receitada pela Alemanha e pela Comissão Europeia. Para Faymann, combater a corrupção e a evasão fiscal, como promete o Syriza, faz mais sentido do que cortar gastos e privatizar durante a crise. Disse isso às vésperas de uma visita oficial a Viena do próprio Tsipras, a quem o astuto chefe do Estado austríaco chamou de “novo amigo”...

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Destacado Ano XIII, nº 146, 1ª quinzena de Março de 2015 Edição Impressa Wed, 04 Mar 2015 17:40:00 +0000
Editorial - A gestão neoliberal do PT e a legenda fascista de “Pátria Educadora” de Dilma http://anovademocracia.com.br/no-145/5773-editorial-a-gestao-neoliberal-do-pt-e-a-legenda-fascista-de-patria-educadora-de-dilma http://anovademocracia.com.br/no-145/5773-editorial-a-gestao-neoliberal-do-pt-e-a-legenda-fascista-de-patria-educadora-de-dilma

O oportunismo eleitoreiro se esmerou para enganar os eleitores durante a campanha para a farsa eleitoral, travestindo Dilma de “coração valente” e pregando o voto contra a “volta da direita”. Dentre as frases “retumbantes” e demagógicas ditas pela candidata, uma rezava que “em direitos trabalhistas eu não mexo nem que a vaca tussa”. Caída no colo dos marqueteiros, isso serviu de material de campanha repetido à exaustão em todos os meios disponíveis, conduzindo muitos ao delírio do “voto crítico” e, agora, envergonhado.

Pois bem, antes mesmo de assumir o segundo mandato, e sem consultar a vaca, a gerentona Dilma desferiu duríssimos golpes nos já combalidos direitos trabalhistas e previdenciários. Com tais medidas, arrocha brutalmente o acesso ao seguro desemprego, atropela a pensão de viúvas e viúvos, impõe a quebra das micro, pequenas e médias empresas com a obrigação de assumirem 30 dias de salário dos afastados por doenças, reduz os abonos do PIS etc. E isto, em meio de inevitáveis racionamentos de energia elétrica e de água, que dará pesado golpe a mais às mesmas micro, pequenas e médias empresas que empregam dezenas de milhões de brasileiros. Tudo de uma só vez e com os auspícios das pelegas centrais sindicais, que, conluiadas entre si e com a gerência de turno do velho Estado, farão costumeiras encenações contra as medidas, ao estilo do recente “protesto” da Força Sindical.

Associados a esse ataque aos direitos dos trabalhadores, se abateram o aumento dos juros do crédito imobiliário, aumentos sucessivos da taxa básica de juros Selic (a maior do mundo), cortes substantivos nos orçamentos (principalmente da educação e saúde), aumento escandaloso de tarifas de energia elétrica e transporte público e, por último, uma alta geral de impostos sobre combustíveis, transações financeiras e importações.

A oposição emasculada alardeia “estelionato eleitoral” de Dilma, talvez inconsolável com a apropriação de seu próprio pacotaço pela equipe do oportunismo eleitoreiro. Na realidade, tais medidas antipovo já vinham sendo tramadas desde muito antes da farsa eleitoral, mas não podiam ser reveladas sob pena de fracasso nas urnas. O que vem à luz — e vínhamos denunciando isto sistematicamente nas páginas do AND — é decorrente do que vieram fazendo a mando do capital financeiro, do imperialismo, da grande burguesia e dos latifundiários. Agora o que se vê é a política de terra arrasada que esses mesmos oportunistas juraram que quem ia fazer era o PSDB.

O fato é que a crise é cada vez mais indisfarçável. Ela não começou por causa da crise mundial do imperialismo, isto só a agravou, tangida pelas mentiras do gerenciamento petista. A balança comercial, mesmo com todas as manobras e maquiagens de praxe, fechou no vermelho em quase US$ 4 bilhões. A dívida pública subiu 8,15%, chegando a inimagináveis R$ 2,19 trilhões, e que sobe puxada pela maior taxa de juros do mundo.

O índice de inflação, uma fraude oficial, ultrapassou o “teto da meta” (eufemismo criado para, a exemplo dos institutos de pesquisa, haver uma “margem de erro” nas estatísticas oficiais) e o achatamento de salários e pensões, uma realidade desde antes do gerenciamento petista, só se agrava.

A indústria demite e nas cidades do interior o comércio já dá sinais de estrangulamento.

As centrais sindicais pelegas e governistas se venderam e traíram descaradamente as classes trabalhadoras, não dão um pio, são cúmplices e também aplicadoras dessas medidas antipovo. E, diante da crise inevitável, estes heróis da empulhação já preparam suas capitulacionistas negociações por “manutenção dos empregos” a qualquer preço, a de sempre “diminuição de salários”.

Aos renitentes do “voto crítico”, Dilma e o PT continuam alimentando com surrados cantos de sereia (como sempre) de “mudanças”, “democratização da mídia”, “imposto sobre fortunas” e a bendita “reforma política”, desde sempre repetidas à exaustão para conjurar o perigo da revolta popular toda vez que a crise ameaça ao afundamento geral.

Quando se chega a situações como para a qual se avança a grandes passadas, é que a repressão mais brutal e genocida se converte na única medida que une todas as classes exploradoras, bem como todos reacionários para salvarem-se de sua hecatombe, independente de quem seja o gerente de turno, no caso da vez, o grande enganador PT. Isso a história política de nosso país já atestou diversas vezes, e cobrando de forma tão cara do nosso povo.

Mas Dilma insiste olimpicamente com sua vitória eleitoral de Pirro e sacou a última novidade da empulhação. Sob a batuta do senhor Levy, preposto do capital financeiro, ela promete fazer uma “evolução na educação”. Haja cinismo! Dos escombros da economia nacional ela levanta, com ufanismo semicolonial, já em seu discurso de posse, a legenda fascista de “Pátria Educadora”!

Adernando no “mar de lama”, a vestal da ética na política, quem diria, morreu no Irajá.

O triste fracasso para onde vai se afundando irreversivelmente o PT, campeão da “moral” e da “ética na política”, e seus pulgões PCdoB e outros, não passaria de jocosa mediocridade trosko-sindicalera (eles merecem), não fossem tão trágicas suas consequências. Mas as massas populares só podem aprender o caminho de sua libertação pelas vias concretas de suas próprias tragédias.

As organizações classistas, populares e revolucionárias devem mais que nunca levantar alto suas bandeiras de luta para rechaçar de forma contundente toda esta arquiconhecida cantilena dos gerentes de turno deste velho e decrépito Estado de grandes burgueses e latifundiários serviçais do imperialismo. Devem erguer alto a bandeira do levantamento geral dos camponeses pobres pela tomada de todos os latifúndios e da preparação da greve geral de duração indefinida, da mobilização dos micro, pequenos e médios empresários e da rebelião da juventude combatente, unindo todos em torno do programa de reivindicações imediatas de defesa dos direitos do povo trabalhador da cidade e do campo.

À panaceia cosmética da enganosa “reforma política”, cuja defesa une toda a reação, como também os partidos da “esquerda” eleitoreira, os verdadeiros lutadores do povo devem contrapor, propagandear, agitar e preparar as ações saneadoras e estremecedoras da Revolução democrática- agrária-anti-imperialista.

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Destacado Ano XIII, nº 145, 1ª quinzena de Fevereiro de 2015 Edição Impressa Tue, 03 Feb 2015 20:03:12 +0000
O PT da retórica e o PT de fato: a dialética do oportunismo http://anovademocracia.com.br/no-145/5772-o-pt-da-retorica-e-o-pt-de-fato-a-dialetica-do-oportunismo http://anovademocracia.com.br/no-145/5772-o-pt-da-retorica-e-o-pt-de-fato-a-dialetica-do-oportunismo

Dilma Rousseff foi para o gerenciamento de Luiz Inácio e ingressou no PT, tornando-se sua candidata para um mandato tampão. Sentou na cadeira presidencial e preparou seu continuísmo como se fosse a mais petista de todas. Para se reeleger fez campanha como Luiz Inácio fez sua primeira, açulando a reação mais nefanda a acusá-la e ao PT de “revolucionários, socialistas, comunistas enfim”, para, com sua desfaçatez, deixar tais impropérios esvaírem-se de tão ridículos.

Com o concurso da “esquerda” eleitoreira covarde, encenou enfrentar uma tal ameaça da “direita”, venceu com os votos do clientelismo e do cabresto, chegando ainda a iludir incautos de que “conquistas” estavam em jogo. Bravateira, avisou: “os direitos trabalhistas são intocáveis!”. Não passou mais que um par de semanas para despejar medidas de arrocho, de mais impostos, cortes, etc., contra as massas trabalhadoras, claro, e em prol do capital financeiro internacional, do “agronegócio” e da banqueirada, também sem novidades.

A diferença entre os 12 anos de gerenciamento petista e o novo mandato que se inicia é a de que no primeiro trataram de aprofundar a dominação imperialista dos gerenciamentos anteriores e o que se inicia é de aprofundar mais a sua própria obra medíocre, pomposamente intitulada de “desenvolvimentismo popular”, novo eufemismo para subjugação nacional. A diferença entre o gerenciamento petista com os anteriores do PSDB, PMDB, etc., é nenhuma. Melhor, para ser mais preciso, como vaticinou Delfim Netto no dia da posse de Luiz Inácio em seu primeiro mandato: “Será mais do mesmo”. Ou o que nunca cansou de explicar FHC: “A diferença entre o PSDB e o PT é apenas de disputa de poder”.

Ou seja, do ponto de vista do Partido Único, tais nuances não têm a menor importância. Quando denunciamos que os principais candidatos eram farinha do mesmo saco, ou seja, que todos estão curvados ante a política de subjugação nacional imposta pelo imperialismo, afirmávamos também que as diferenças entre eles eram apenas cosméticas.

Protestos como de Leonardo Boff, Frei Beto e João Pedro Stédile, entre outros petistas históricos e intelectuais pequeno-burgueses, que assinaram manifesto no qual afirmam que “a indicação de Joaquim Levy e Kátia Abreu sinalizam uma regressão da agenda vitoriosa das urnas” e que Dilma Rousseff “parece levar mais em conta as forças cujo representante derrotou do que dialogar com as forças que a elegeram”, parecem coisa de inocentes e de neófitos em política.

Também a presidente em exercício da CUT, Carmem Foro, demonstra surpresa ao afirmar, segundo boletim do DIAP, ser “uma afronta, as medidas serem logo após a presidenta Dilma ter se comprometido, publicamente, a voltar a abrir um canal de diálogo com as centrais, através de reuniões periódicas, e não permitir a retirada de qualquer direito trabalhista que fosse. Nem que ‘a vaca tossisse’”, afirmou ela. Apojadas nas tetas do Estado, as centrais sindicais pelegas, fingindo-se traídas, farão protestos “para inglês ver”.

As críticas de arrependidos e desiludidos com o PT e com sua gerente Dilma Rousseff vêm da periferia para o centro do próprio partido como foi a explosão de Marta Suplicy. Lançando a consigna de “o PT muda ou acaba”, ela saiu do ministério lançando impropérios contra petistas de vários coturnos o que levou Paulo Vanucchi, assessor de Luiz Inácio, a declarar ao jornal Folha de São Paulo que a senadora agiu de forma “sórdida”, “intolerável” e “inaceitável” ao revelar conversas particulares suas com Luiz Inácio nas quais ele teria, em jantar organizado por ela com empresários, feito reclamações sobre suas dificuldades com Dilma.

Ao que parece, as dificuldades com Dilma não param por aí, já que a Fundação Perseu Abramo, tida como fonte de referência teórica e de pesquisa petista em seu Boletim de Análise Econômica nº 236, diverge das medidas de elevação dos impostos baixadas por Dilma Rousseff ao afirmar que “diante da continuidade de um mundo em crise e da desaceleração abrupta do mercado interno (último motor de crescimento da economia nacional que ainda funcionava), a possibilidade desses ajustes aprofundarem as tendências recessivas da economia nacional não é desprezível” e “Caso este cenário pessimista se confirme, mesmo os aumentos das alíquotas dos impostos serão insuficientes para ajustar as contas públicas, tendo em vista que a arrecadação tributária será muito inferior à esperada”.

A crise interna do PT promete atingir proporções nunca vistas diante da ameaça de José Dirceu de romper com Luiz Inácio por considerar ter sido abandonado no processo do mensalão e agora já estar vendo seu nome despontando na apuração da corrupção na Petrobras. Luiz Inácio, que tem se especializado em apagar incêndios, terá mais esta labareda pela frente. Não tendo a verdadeira dimensão da profundidade da crise, ele procura discutir com próceres petistas sobre a necessidade de mudanças estruturais no partido, começando por sua direção burocratizada.

A crise, entretanto, é mais profunda do que ele pensa. Ela é o prenúncio do esgotamento de um projeto oportunista que completará 35 anos neste 2015 com claros sintomas de senilidade, pois, criado sob a bandeira da “renovação e da ética”, chega a esta idade com todas as características dos velhos partidos burgueses com suas frações internas em pugna como consequência de suas íntimas ligações com os  grupos de poder dentro do velho e apodrecido Estado brasileiro.

A falência do círculo de fogo petista

A estratégia de ser e não ser PT, ou seja, de aparentar uma coisa e na verdade ser outra, foi traçada por José Dirceu, seu presidente na época, para eleger Luiz Inácio em 2002. Assim o falatório “ético” e de “defesa dos trabalhadores” era o PT do discurso e a assinatura da Carta aos brasileiros, assegurando a submissão ao FMI e ao Banco Mundial, era o PT real; as denúncias de corrupção de FHC eram o PT do discurso e a aliança com Sarney era o PT real; a promessa de reforma agrária radical era o PT do discurso e a aliança com o agronegócio era o PT real; a promessa de fome zero era o PT de discurso e o convite ao agente do FMI e deputado do PSDB, Henrique Meireles, para chefiar o Banco Central era o PT real; a afirmação de que no congresso havia mais de 300 picaretas era o PT do discurso e a montagem de um mensalão para comprar o apoio de partidos e parlamentares era o PT real; a necessidade de controle da mídia era o PT do discurso e a destinação de milhões de reais para os monopólios de imprensa era o PT real; a proposta de uma reforma política era o PT do discurso e a utilização de recursos da Petrobras para formação de patrimônio pessoal e fazer o jogo sujo eleitoral era o PT real; a campanha eleitoral de Dilma Rousseff era o PT do discurso e o gerenciamento de Dilma Rousseff é o PT real.

Não, isto não é uma manifestação esquizofrênica, um caso de dupla personalidade, como acontece com as pessoas vítimas de distúrbios mentais. Este tipo de manifestação em política tem um nome mais apropriado: oportunismo. E o oportunismo é uma forma de manifestação da mentira e a mentira possui pernas curtas.

Desta forma, a estratégia de envolver a sociedade no círculo de fogo do corporativismo onde o gerenciamento do Estado atrela os entes da sociedade civil ao seu controle para, por um lado, beneficiar o latifúndio, a grande burguesia e o imperialismo e, por outro, impedir o protesto popular com pequenas concessões, cooptação de lideranças e aumento da criminalização dos movimentos populares, tudo isso faliu.

E foram os protestos de junho de 2013 que marcaram o momento da quebra e definhamento do círculo de fogo oportunista do PT. Escorraçado nas manifestações da juventude, diminuindo sua presença no parlamento e obtendo uma pífia diferença na eleição de sua candidata à reeleição. Este é o triste fim que espera aqueles serviçais da burguesia que usam o nome dos trabalhadores para traí-los: mais cedo ou mais tarde entram em bancarrota. As páginas da história estão cheias destes casos, a degringolada petista não constitui, portanto, novidade alguma.

Aprendendo a lição

Se aos oportunistas é difícil aprender com a história, ao povo já não acontece o mesmo: o número de votos repudiando as candidaturas do Partido Único, nas últimas eleições, é prova inconteste do repúdio a esta farsa em que se constitui a ditadura burguesa travestida de “Estado democrático de direito”, sob o gerenciamento petista.

Negando estes falsos representantes do povo, a juventude, os operários, os camponeses, os moradores de favelas e bairros periféricos desenvolvem a ação direta na reivindicação de solução para seus problemas mais gritantes, ao tempo em que clamam por uma direção revolucionária que aponte para a destruição deste velho e apodrecido Estado juntamente com todos que nele se empoleiraram. A situação revolucionária se desenvolve e, certamente, constrói em seu seio os instrumentos para a revolução. Uma Revolução de Nova Democracia, cujo caráter democrático e popular seja assegurado pela direção de um Partido Revolucionário à frente da aliança operário-camponesa na aplicação do programa revolucionário, garantindo um rumo firme para o Socialismo.

Vale ressaltar o ensinamento de Lenin de que pretender combater o imperialismo sem o combate inseparável ao oportunismo e ao revisionismo, não passa de fraseologia oca.

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Destacado Ano XIII, nº 145, 1ª quinzena de Fevereiro de 2015 Edição Impressa Tue, 03 Feb 2015 19:59:37 +0000
Luta pela liberdade de todos os presos políticos http://anovademocracia.com.br/no-145/5769-luta-pela-liberdade-de-todos-os-presos-politicos http://anovademocracia.com.br/no-145/5769-luta-pela-liberdade-de-todos-os-presos-politicos

A “justiça” antidemocrática do Brasil

Como afirmamos na última edição de AND, a luta pela liberdade dos presos políticos e o fim de todos os processos “entrou em 2015 com força redobrada”. Desde então, tal afirmação tem se confirmado cada vez mais, pois a atuação dos advogados, familiares e ativistas do movimento popular do Rio de Janeiro tem obtido mais apoio popular e a campanha #EuApoioOs23 ganhou maior visibilidade em diversos segmentos da sociedade.

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Igor Mendes: exemplo de firmeza revolucionária

Até a conclusão desta edição, cinco audiências com as testemunhas de acusação e de defesa já haviam ocorrido nos dias 16 de dezembro de 2014, 12, 15, 23 e 26 de janeiro de 2015. Durante todas elas, na entrada do Tribunal de Justiça, Centro da cidade, apoiadores da luta permaneceram o dia inteiro no local prestando solidariedade, panfletando para a população e exibindo faixas. Ao fim de cada audiência (quase todas terminaram por volta da meia noite), os manifestantes se dirigiram para a parte dos fundos do prédio do TJ e aguardaram a saída dos ativistas processados, que foram recebidos com a palavra de ordem ‘Presos políticos, liberdade já! Lutar não é crime, vocês vão nos pagar!’.

Durante o ato em frente ao TJ realizado no dia 26 de janeiro, a reportagem de AND conversou com diversos ativistas que nos deram sua opinião sobre os processos de perseguição, como a estudante secundarista Andressa Feitosa, uma das presas políticas na véspera da Copa da Fifa no dia 12 de julho do ano passado.

— Hoje meu processo está em vias de acabar. A promotora do Ministério Público pediu a absolvição do processo por considerar as provas improcedentes e a gente só tem que esperar a juíza assinar embaixo e, de fato, comprovar que, assim como eu, também não existem provas contra os outros. Hoje estamos aqui em mais uma audiência de testemunhas do processo dos 23. Quatro companheiros se encontram encarcerados por motivos obviamente políticos, nós exigimos a liberação desses presos políticos e a extinção de todos os processos. Nós entendemos que a prisão desses companheiros é uma movimentação anti-junho de 2013, anti todo movimento contra a Copa do Mundo, contra a juventude combatente e contra o povo em luta e a organização da classe trabalhadora.

Os familiares, os próprios processados e todos que acompanham a luta têm observado, com cada vez mais certeza, que as audiências têm refletido o caráter antidemocrático da “justiça” brasileira.

Fascismo escancarado

Mesmo frente a todas as arbitrariedades, as testemunhas de defesa têm sido audaciosas e estão mostrando a mesma combatividade que os réus demonstraram nas ruas. Entre as testemunhas de defesa de 26/1, estavam o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, o engenheiro Maurício Campos, o ex-presidente do Sindpetro Emanuel Cancella, professores do Colégio Pedro II, da rede estadual, da UERJ e da UFRJ, que denunciaram de forma contundente o terrorismo de Estado e o aumento do regime de exceção. Juntos aos advogados, eles estão desmascarando a ilegalidade deste processo, uma nítida tentativa de criminalizar o direito de livre manifestação.

Mas os absurdos não param por aí. Segundo o estudante de História da UERJ e um dos ativistas processados, Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, “o monopólio de imprensa tem privilégio para ver as audiências, o que é um absurdo, pois os familiares, amigos e apoiadores só adentram no espaço após monopólio ocupar os lugares, e sempre cumprindo seu papel de criminalizar a luta popular”. E continua:

— Em uma das audiências em que foi ouvido o inspetor encarregado de fazer a investigação nas redes sociais, este afirmou que nunca tinha visto qualquer perfil da Elisa Quadros incitando violência. Mas, neste mesmo dia, uma reportagem do G1 disse que o inspetor afirmou o contrário. Claramente estão lá não para reproduzir o que de fato ocorre no tribunal, mas sim para criminalizar e mentir sobre os fatos — denuncia Emerson, que também falou sobre a atuação dos advogados:

— Porém, os advogados, em sua maioria, estão se portando como advogados do povo, usando o velho lema de ‘acusar quem nos acusa’. O Dr. Marino D’Icarahy, por exemplo, está o tempo inteiro politizando a discussão, denunciando a perseguição política que os réus vêm sofrendo dos governos e denunciando a violência policial — conclui.

Em 28 de janeiro, o deputado Marcelo Freixo, chamado como testemunha pelo Dr. Marino, não compareceu para depor. O advogado, que defende 11 dos 23 acusados, foi o único que solicitou o depoimento de Freixo exatamente para esclarecer as infundadas acusações mencionadas no processo kafkiano como a de “financiamento de atos violentos” etc.

Igor Mendes resiste!

Em dois artigos publicados na última edição de AND, divulgamos a situação do ativista Igor Mendes que, em 3 de fevereiro, completa dois meses de prisão no Complexo Penitenciário de Bangu, Zona Oeste da cidade. O jovem permanece como sempre foi, firme, decidido e com moral elevada, e as notícias da campanha pela liberdade dos presos políticos do lado de fora da prisão o tem deixado mais disposto para enfrentar as adversidades da luta.

Também no dia 26 de janeiro, tivemos a oportunidade de registrar o depoimento de Luiz Alberto Amorim, estudante de música da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que veio de Curitiba ao Rio de Janeiro para testemunhar em defesa de Igor.

— Vim para o Rio de Janeiro para poder prestar depoimento no processo do ativista Igor Mendes... Para mim foi uma experiência muito tensa dar esse depoimento, pois pela primeira vez eu estive de frente com o Estado. Lá estava o Estado na pessoa do [juiz] Itabaiana me interrogando sobre um militante. Esse militante, o Igor Mendes, é uma pessoa que me acompanha há 12 anos na militância política. Nós começamos juntos, em 2003, quando estudávamos no Instituto de Educação do Rio de Janeiro. Começamos do ‘zero’, com um protesto sobre o passe livre, sobre direito estudantil, melhorias da escola e da educação. É um absurdo total, não tem como a gente não ficar com raiva dessa situação... O que a gente faz é falar a verdade do povo, da necessidade de se organizar pra lutar, mas na paz. Pra mim foi tenso porque eu estava dentro do Estado, eu estava ali pra falar contra o Estado, mas eu vim aqui porque o Igor é um cara que merece solidariedade, merece o apoio de todo mundo. Não é um criminoso, isso é mentira.

No dia 30/1, o Dr. Nilo Batista ingressou com um Embargo de Declaração para anular a decisão que negou o habeas corpus de Igor, Elisa Quadros e Karlayne Moraes.

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Destacado Ano XIII, nº 145, 1ª quinzena de Fevereiro de 2015 Edição Impressa Tue, 03 Feb 2015 19:46:36 +0000
A guerra imperialista regressa a sua casa http://anovademocracia.com.br/no-145/5754-a-guerra-imperialista-regressa-a-sua-casa http://anovademocracia.com.br/no-145/5754-a-guerra-imperialista-regressa-a-sua-casa

A primeira constatação, e de maior importância, para o desenvolvimento da situação atual que temos de fazer com relação ao ocorrido em Paris no dia 7 de janeiro é que a guerra de agressão imperialista regressa à sua casa.

É um fato inegável que as ações cruentas contra a redação da revista Charlie Hebdo e o mercado judeu foram um ato de guerra que golpeou o imperialismo francês em seu próprio solo,  balançou os demais países imperialistas e “estremeceu o débil equilíbrio político europeu”, como apontou The Wall Street Journal (13 de janeiro de 2015).

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Tropas imperialistas da França no Mali, país africano

Nem o governo francês, nem os meios a seu serviço, nem o que se conhece sobre os autores, ou o planejamento e execução dessas ações de guerra, permitem estabelecer com segurança a autoria de al-Qaeda ou do Estado Islâmico. Está claro que os representantes do imperialismo francês, em sua propaganda, manipulam isto porque necessitam criar opinião pública favorável para a guerra imperialista de agressão como “guerra contra o terrorismo do EI”.

Ainda que os irmãos Chérif e Said Kouachi, assim como Amedy Coulibaly, pretendessem apresentar os feitos como dirigidos por “al-Qaeda” e pelo “EI”,  que trataram de alguma forma de assumir sua autoria, isto resulta contraproducente, pois eles lutam entre si de forma sangrenta na Síria.

Só há algo certo e inegável: que estas ações são o fruto do desenvolvimento das próprias contradições internas na França e da agressão do imperialismo francês contra os países oprimidos do Oriente Médio. Situação nacional e internacional que tem golpeado com especial violência os habitantes dos Banlieues [Nota da Redação: subúrbios das grandes cidades francesas] e filhos de imigrantes procedentes daquela região do mundo com a qual se sentem identificados.

Na massa funda e profunda do povo da França, sobretudo a que vive nesses bairros, está em ascenso um “estado de ânimo” que se manifesta no profundo ódio contra o Estado imperialista francês e todo o sistema que representa e defende. Uma crescente indignação contra o genocídio imperialista e dos sionistas contra os povos oprimidos, especialmente o povo palestino, assim como contra a propaganda da guerra que diariamente propalam os diferentes meios de comunicação de massa, alguns com conteúdo humilhante contra eles, como as “caricaturas de Maomé”.

Este estado de ânimo é a força que moveu a ação dos irmãos Kouachi e Coulibaly contra o que mais odeiam, representado, nesse caso pelos jornalistas do Charlie Hebdo, pelos policiais e pessoas do mercado judeu.

É preciso fazer autocrítica

Dizemos isso porque o exposto anteriormente indica o desenvolvimento das condições objetivas da revolução nos países imperialistas e, por sua vez, o atraso da tarefa da reconstituição do Partido Comunista. Esta tem que desenvolver-se centrada no trabalho de massas e a construção principalmente ali, onde está a massa mais funda e profunda, a mais pobre, a mais explorada e oprimida. A situação objetiva está chamando a gritos a organizar e dirigir as massas com a ideologia e a política do proletariado.

O afastamento dessa massa funda e profunda, isso nos mostram os fatos, demonstra que não se leva a ideologia e a política comunista (o maoísmo) a essas massas. E como não pode existir espaço vazio, ante nossa ausência e nossa inércia, esse espaço é ocupado por outras forças com ideologias estranhas e contrárias as do proletariado*.

Assim, uma parte considerável dessas massas toma o “islamismo” (em sua versão salafista mais retrógrada) [NR: relativo aos primeiros muçulmanos que reivindicam o retorno às origens do islã fundado no Corão e na Suna. Suna, no árabe, quer dizer caminho trilhado. Suna do Profeta, portanto, quer dizer Caminho Trilhado pelo Profeta] como ideologia, como força impulsionadora de sua ação.

Então, definitivamente, não é problema deles nem das massas senão problema nosso. Problema de não assumir a tarefa de reconstituição do Partido Comunista transladando o peso do trabalho de massas nessa etapa às massas mais pobres.

A guerra no “Oriente Médio Ampliado”

No Iraque, Síria, Afeganistão, Palestina (sub ocupação sionista), Iêmen, da Líbia até o Mali, se desenvolve uma cada vez mais encarniçada e genocida guerra de agressão imperialista encabeçada pelo imperialismo ianque em sua condição de única superpotência hegemônica.

Uma nova edição da “coalizão dos dispostos” [NR: termo utilizado por George W. Bush para a coalisão liderada pelo imperialismo ianque e pelo imperialismo inglês para a guerra de agressão contra o Iraque] que tem como aliado principal a França, no marco desta guerra, leva a atual campanha contra Síria e Iraque (países oprimidos), que se desenvolve desde o mês de setembro com bombardeio aéreo e o uso de forças lacaias sobre o terreno, cujas operações de combate são dirigidas desde o centro do comando do imperialismo ianque estabelecido em sua base principal no Iraque e a participação de oficiais e forças combinadas de comandos das forças de intervenção imperialista. Porém, são obrigados a ocupar estes países empregando suas forças terrestres quando necessário, como o vêm declarando os porta-vozes do Pentágono.

Isso acontece em uma região do mundo de grande importância política, econômica e militar para a estratégia hegemônica do imperialismo ianque, a que ele denomina de “Oriente Médio Ampliado”. Região vital para manter sua hegemonia, já que comunica três continentes. Esta região se converteu em centro estratégico da disputa imperialista por sua importância e suas reservas de petróleo. Região onde as massas estão desenvolvendo uma crescente resistência armada contra o imperialismo em meio de grandes, complexas e persistentes lutas que se entrecruzam com conflitos de todo tipo e se desenvolvem também como guerras locais ou regionais que são fomentadas pelo imperialismo. É também o “núcleo histórico do Islã”.

Os países desta região são países semifeudais e semicoloniais muito atrasados onde se desenvolve um capitalismo burocrático. Sobre esta base se dá o conflito entre as frações reacionárias, entre os chamados “regimes seculares” como o de Sadam no Iraque ou o de Assad na Síria, contra os partidos islamitas “xiitas” ou “salafistas”, ou no Egito atual do regime militar contra a “Irmandade Muçulmana” (cujo governo foi muito obediente com o imperialismo do USA e contestado pelo regime “bahabista” ou “salafista” da monarquia serviçal dos ianques e britânicos da Arábia Saudita, porém foi apoiado por outra monarquia islâmica,  xiita, a do Catar). Porque o “islã” não é um só, senão, que está dividido em duas direções principais e muitas outras sobretudo dentro dos sunitas. Nunca se uniram depois que se dividiram após a morte de Maomé. Só o fizeram uma vez com Saladino no século XII.

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Ianques bombardeiam Estado Islâmico em Kobane

As lutas políticas e as guerras nesta região se apresentam “cobertas por um manto religioso” (Karl Marx). O plano do imperialismo atua sobre as condições internas. Então, também há que se considerar dentro dessas condições que por trás das frações e grupos latifundiário-burocráticos que atuam ali estão diretamente e principalmente envolvidos Arábia Saudita (que atua movida pelo grande titereiro, o imperialismo ianque) e Irã, cujo fiador é o imperialismo russo, o “cão fraco” [NR: perro flaco, expressão em espanhol].

Nas contendas que se produzem na região, se dá uma série de entrecruzamentos e mudanças de frente, o que torna a situação muito complexa. Iêmen, por exemplo, tem um governo encabeçado por um xiita serviçal dos ianques, enredado com tribos xiitas do norte do país que têm vínculos com o Irã; governo cujas tropas, sob a direção direta do imperialismo ianque e seus bombardeios aéreos, combate com o apoio de tropas da Arábia Saudita (wahabista ou salafista) as tribos de religião wahabista ou salafista do sul do país dirigidas pela al-Qaeda. Alguém disse que por essa “complexidade há uma grande semelhança com a Guerra dos Trinta Anos na Europa”.

O Presidente Mao Tsetung, em Sobre a tática da luta contra o imperialismo japonês (27 de dezembro de 1935, Tomo I das Obras Escolhidas), nos ensina que, quando se dá um ataque direto do imperialismo contra um país oprimido, se produzem “enormes mudanças na situação política”, as quais “colocam ante cada classe e cada grupo político a questão de o que fazer: Resistir? Capitular? Ou vacilar entre um e outro?”. Ele nos diz que a mudança básica na situação, a invasão do imperialismo, modifica as relações das diversas classes do país, ampliando o campo da revolução nacional e debilitando o da contrarrevolução. Pontua que em tais condições se dá a ausência completa de unidade, incluindo no campo da classe latifundiária e da burguesia compradora, porque a luta se dirige contra um país imperialista (ou uma “coalizão” como a encabeçada pelo imperialismo ianque) e os outros cães de caça dos outros países imperialistas (como o imperialismo russo) podem lançar-se a uma luta surda ou inclusive aberta contra este. E aconselha que devemos aproveitar cada uma das lutas, brechas e contradições no campo inimigo e utilizá-las contra nosso inimigo principal do momento e seus cães de caça.

Por isso é necessário fazer uma breve retrospectiva da invasão ianque e da resistência iraquiana e a agressão imperialista dissimulada como guerra civil contra a Síria até o acordo do governo Assad com o imperialismo ianque de outubro de 2013; bem como as mudanças operadas na situação no Iraque e Síria a partir do ano passado até a atualidade para ver como estão se posicionando as diferentes forças desses países.

No Iraque, passados dois meses da invasão ianque de março de 2003, começou a resistência que foi em ascenso até 2006/7. A partir de 2008/09, as forças da resistência foram golpeadas por “the surge” (ofensiva ianque com aumento de tropas). Nos finais de 2009, parte dessas forças se refugiam na Síria em lugares seguros, onde vão começar a se reorganizar, transformando parte da al-Qaeda em ISIS entre 2012 e 2014. A outra parte segue como al-Nusra; isto também como resultado, em parte, da agressão imperialista contra a Síria dissimulada como guerra civil. Para lançá-los contra o governo sírio, os ianques, através da Arábia Saudita, os armaram e financiaram até meados de 2013, quando os sauditas suspenderam todos os acordos com eles. Os ianques, através da CIA e outros imperialistas da Otan na Turquia, constituíram o Exército Livre da Síria (FSA, sigla em inglês). Por sua vez, os partidos curdos nos cantões de maioria curda (ao longo da fronteira com a Turquia), como consequência da chamada “guerra civil”, foram assumindo a administração e defesa desses cantões, primeiro fazendo frente com o governo de Assad. Considerar nisso que o partido curdo desses cantões, o PYP, é partido irmão do PKK, “sócio” menor do partido de Barsani, que “governa” a região curda do norte do Iraque.

Como consequência da agressão e plano imperialista contra a Síria entre 2013 e 2014, o país ficou praticamente dividido em cinco partes e a Síria foi convertida em um “Estado falido”. Uma parte sob o controle do governo sírio de Assad em Damasco e outras grandes cidades; outra parte são os cantões curdos como Kobane; outra no norte sob domínio de al-Nusra; outra sob o domínio do FSA; e a maior parte sob o domínio do EI, que a partir de junho de 2014 vai estabelecer seu “Califado da Síria e Iraque”. A luta entre estes feudos, ou “reinos”, é cada vez mais sangrenta. Entre os islamitas isto tem causado mais de três mil mortos. Cada uma dessas partes é consequência do afundamento do Estado sírio acelerado pela agressão imperialista. Nem Kobane, muito menos o autodenominado “califado” tem outro caráter de classe que o do Estado latifundiário-burocrático a serviço do imperialismo, como o tem o Estado sírio.

Por outro lado, no Iraque, em 2011, os imperialistas ianques vão simular a retirada do país deixando estabelecido seu regime de ocupação com sua “ordem e lei”, com um governo títere (Al Malik como primeiroministro), com forças armadas e policiais organizadas pelos ianques, que são quem mantém seu mando, incorporando como parte desse exército as forças armadas do mercenário Barsani, chefe do governo autônomo da região curda do Iraque, estabelecida por ordem da ocupação, que foi ligada política, econômica e militarmente ao Estado turco, como uma zona de influência. Isto para se contrapor à influência do Irã em um país de maioria xiita. No verão de 2014, o EI cruza a fronteira da Síria e se une ao levantamento que se produz no Iraque contra o regime imposto pelo ocupante. Então, como estava estabelecido, para manter a sua “ordem e lei”, os ianques vão intervir em uma nova campanha contra o povo do Iraque, usando como “botas sobre o terreno” as forças mercenárias de Barsani e as forças do PKK, partido curdo, que tem seu refúgio e quartel general na região curda do Iraque sob o controle de Barsani.

Como se vão decantando as diferentes forças que atuam na Síria desde setembro de 2014 quando se deu início a nova fase de agressão imperialista contra a Síria, a nova campanha de guerra contra Iraque e Síria?

Brevemente: ter em conta que o imperialismo ianque chegou a um acordo preliminar com o governo dos aiatolás do Irã sobre a questão do “uso da energia nuclear”. Por esse acordo se amplia o prazo de janeiro a junho desse ano para chegar a um acordo definitivo, contando com o apoio da Rússia de Putin em troca, seguramente, que lhe abaixe a pressão na Ucrânia. Logo, as Forças Armadas do Irã bombardearam o EI na região fronteiriça e há tropas terrestres que ajudam o governo títere iraquiano a combater o EI. Assim se tem somado, na prática, a “coalizão” dirigida pelo imperialismo ianque contra o Iraque. Por seu lado, Arábia Saudita passou a combater, como parte da “coalizão”, o EI e, por sua vez, sofrido atentado em sua fronteira por parte do EI.

A atual campanha dirigida pelo imperialismo ianque se centra no Iraque principalmente e trata de recuperar terreno perdido pelas forças armadas títeres em Mosul e a maior parte do país que está em mãos de quem se tem levantado contra o regime imposto pelo ocupante.

Na Síria, o PYP e os mandões dos cantões “curdos” recebem ajuda do imperialismo ianque através dos bombardeios aéreos. Três quartas partes dos bombardeios aéreos dirigidos pelo USA têm se concentrado na luta contra o EI na cidade de Kobane, na fronteira turca. Coordenada com as forças curdas nessa área, a campanha do USA impediu que as forças do EI tomassem Kobane (segundo o porta-voz oficial Cel. Ryder, do Comando Central, Wall Street Journal de 16-18 de janeiro de 2015). Parte das forças dos outros feudos, ou “reinos”, estão passando ao EI, segundo a mesma fonte.

Os ianques na Síria procuram manter o balanço entre as forças de Assad e o EI e os outros “opositores”. Enquanto vão construindo as divisões armadas do FSA que a CIA treina na Jordânia e Turquia para lançar sua ofensiva terrestre. Calculam entre três e quatro anos para assim impor “a ordem e a lei” ianque na Síria. Esta tática ianque busca pôr Assad contra as cordas e levá-lo a capitular definitivamente.

O problema que se apresenta nos países do Oriente Médio é a não existência de um Partido Comunista revolucionário. Por isso as diferentes forças, incluindo as minorias nacionais, não estão confluindo em uma só frente única nacional (tarefa do Partido). Mais ainda, a direção desta luta está sendo usurpada por organizações correspondentes às forças latifundiário-burocráticas e suas diferentes frações. Porém, a tendência é que se formarão claramente duas frentes.

As forças do imperialismo ianque, francês e demais “coligados” e os colaboracionistas e vende-pátrias pretendem transformar o país em uma colônia. Corresponde às forças da resistência nacional, fazer que o país goze de independência, liberdade e integridade territorial.

As forças contrarrevolucionárias do Oriente Médio e no resto do mundo são, por esse momento, mais potentes que as forças revolucionárias. Porém nos encontramos no início da Nova Grande Onda da Revolução Proletária Mundial, quando esta se encontra na etapa da ofensiva estratégica, e o imperialismo está na de sua defensiva estratégica e varrimento pela revolução mundial. O que demanda transformar todas estas guerras de agressão imperialista em guerras populares para fundi-las em uma só torrente de guerra popular mundial.

Por esses dias foi publicada uma carta do Partido Comunista Maoísta da Índia aos camaradas do Afeganistão que fala da experiência desses camaradas que lutam nessa região e em condições similares às que temos tratado. É necessário aprender da experiência dos maoístas no Afeganistão a esse respeito. Porém no Movimento Comunista Internacional se apresentam problemas para lutar contra a guerra imperialista de agressão no Oriente Médio e seu regresso aos países imperialistas. Isso se pode constatar facilmente da simples leitura dos comunicados emitidos pelas diferentes organizações e partidos dentro do MCI a respeito dos acontecimentos de Paris. Problema lá e problema aqui.

Não se parte da concepção maoísta a respeito da frente única como instrumento para organizar e agrupar os milhões e milhões de homens do povo, assim como todas as forças que podem ser unidas para lutar contra o invasor a fim de nos lançarmos ao ataque contra nosso alvo central: o imperialismo ianque e seus coligados, e seus lacaios, os vende-pátrias no Oriente Médio. E isso se vê também nesses países imperialistas para unir os mais amplos setores na luta contra o imperialismo e a guerra imperialista.

Isso, nos ensina o Presidente Mao, conduz a que não tenhamos unidade para apontar contra o inimigo principal, que tenhamos uma tática correta, mas, pelo contrário, dispersaremos o fogo de tal maneira que nossas balas, em lugar de alcançar o inimigo principal, atingirão os inimigos secundários, ou inclusive nossos possíveis aliados (tática incorreta). Procedendo assim, nos será impossível encurralar e isolar o inimigo. Procedendo assim, nos será impossível atrair para o nosso lado aqueles que, sob coação, se lançam no campo ou frente inimigos, àqueles que ontem eram nossos inimigos, porém hoje podem ser nossos amigos. Proceder assim seria ajudar de fato ao inimigo e frear, isolar e minar a revolução e fazê-la declinar e, inclusive, conduzi-la a derrota.

Condenamos a guerra imperialista contra os países do Oriente Médio!

Enfrentar a guerra de agressão imperialista com guerra popular!

Viva o marxismo-leninismo-maoísmo, principalmente o maoísmo!

*Disse a revista alemã “Der Spiegel”, que, em busca de respostas, tem investigado a história dos personagens principais desses ataques. Uma viagem atrás de pegadas... é uma viagem nos abismos da sociedade francesa, em “lares para crianças”, centros sociais e nas prisões, mas também nas redes de islamitas radicais e terroristas, que,  na França, desde décadas, estão especialmente ativas. (“Foram bons meninos”, reportagem da revista Der Spiegel, 76 a 84, Nr. 4, 17.01.2015). E na mesma revista, a redatora pergunta se o perigo agora não provém mais de organizações terroristas como al-Qaida, senão de jovens furiosos. Um especialista conclui que sim, que eles são mais perigosos porque radicalizam a eles mesmos (“Conversação da revista Siegel com o especialista em islã Olivier Roi, páginas 90 a 92).

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Destacado Ano XIII, nº 145, 1ª quinzena de Fevereiro de 2015 Edição Impressa Tue, 03 Feb 2015 18:08:19 +0000