Luta pela terra

LCP e MFP em giro pela Alemanha e Galícia

Com informações do Dazibao Rojo

Nos meses de fevereiro e março, ativistas da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e do Movimento Feminino Popular (MFP) realizaram uma série de atividades de divulgação de suas lutas na Galícia (Estado espanhol) e na Alemanha.

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Cartazes divulgam debates promovidos pela LCP e pelo MFP na Europa

Os integrantes da LCP e do MFP participaram de um intenso e exitoso calendário de atividades, nas quais puderam expor a luta dos camponeses brasileiros pela conquista da terra e pela destruição do sistema do latifúndio, com a tomada de todas as suas terras, bem como da luta das mulheres trabalhadoras para se incorporarem e se alçarem cada vez mais, aos postos mais avançados das trincheiras de luta do povo brasileiro.

Nos dias 1 e 2 de março, a LCP e o MFP estiveram presentes, respectivamente, nas cidades alemãs de Colônia e Magdeburgo. No dia 23/02, os ativistas realizaram uma exposição sobre a luta camponesa na cidade de Hamburgo. No dia seguinte (24), em Berlim e no dia 25/02, em Bremen.

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Cartazes divulgam debates promovidos pela LCP e pelo MFP na Europa

No dia 21/02, os ativistas da LCP realizaram uma palestra com o tema “A luta pela terra no Brasil”, no Centro Social A Revolta dos Berbés, localizado na cidade de Vigo,Galícia, na qual expuseram a atual situação das lutas camponesas no Brasil e, particularmente no estado de Rondônia, bem como abordaram o trabalho de massas desenvolvido pela Liga.

Na manhã do dia seguinte (22), na cidade de Santiago de Compostela, também na Galícia, ocorreu uma reunião entre os membros da LCP e da direção do Sindicato Labrego Galego (Sindicato Camponês Galego), que possibilitou o compartilhamento das experiências de lutas dos campesinatos brasileiro e galego.

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Cartazes divulgam debates promovidos pela LCP e pelo MFP na Europa

Na parte da tarde, na cidade de A Coruña, ocorreram duas novas atividades, uma reunião de troca de experiências das lutas e uma palestra sobre a luta camponesa pelo acesso à terra no Brasil. As atividades foram encerradas com uma celebração entre os presentes, com muitas demonstrações de solidariedade aos ativistas e dirigentes da LCP e a todos os camponeses organizados sob a sua bandeira vermelha, que resistem às ofensivas do latifúndio e dos seus bandos paramilitares e seguem avançando com a Revolução Agrária.


RO: PM persegue e agride camponeses

Com informações do jornal Resistência Camponesa

Os camponeses da Área Revolucionária Monte Verde, no município de Monte Negro (RO), denunciaram mais uma ação violenta e criminosa da Polícia Militar do estado controlada pelo gerente estadual Confúcio Moura/PMDB e pelo comandante-geral da PM Ênedy Dias de Araújo.

No dia 13/02, homens de um grupamento especial da PM, em 2 viaturas e 1 caminhonete sem identificação e sem mandado judicial entraram na Monte Verde, alegando a realização de um “levantamento” para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Os camponeses relatam que durante a “operação”, os policiais agiram com intimidação e agressividade, humilhando famílias e agredindo até mesmo um adolescente, que foi algemado e detido por “desacato”. Segundo os camponeses, o jovem ao sair da delegacia apresentava escoriações pelo corpo, resultado de agressões dentro da delegacia.

Em dezembro de 2016, o mesmo tipo de operação havia sido realizado por PMs do município de Ariquemes, com o pretexto de estarem fazendo um levantamento para uma eventual reintegração de posse.

Invasões e intimidações como estas também ocorreram na Área Revolucionária 10 de maio, em Alto Paraíso, no mês de fevereiro. Policiais Militares e Federais têm patrulhado a região, abordando e constrangendo moradores locais em busca de informações sobre a Área 10 de maio.

A Área Monte Verde é composta por 123 lotes, que foram cortados pelos camponeses em setembro de 2015. Atualmente, cerca de 90 famílias trabalham nos lotes, que contam com lavouras e criações de animais.

As Áreas Monte Verde e 10 de maio correm o risco de serem despejadas. Entretanto, os camponeses anunciaram em nota que resistirão a qualquer tentativa de remoção. Eles também exigiram a regularização imediata de suas posses.

A PM também tem perseguido e ameaçado cerca de 30 famílias do Acampamento Boa Esperança, situado entre os limites dos municípios de Pimenta Bueno, Chupinguaia e Vilhena.

Ao longo do mês de fevereiro, no município de Chupinguaia as perseguições tem se dirigido contra os camponeses que ocuparam as terras do Lote 72 em outubro de 2016.

O pretenso proprietários das terras é Vanderlei Frank Ramos, que de acordo com os camponeses, desde a ocupação do latifúndio tem constantemente ameaçado as famílias com o auxílio de PMs. No dia 29 de dezembro de 2016, dois policiais militares e um pistoleiro atacaram o acampamento, repleto de crianças, destruindo os barracos dos moradores com máquinas e depois ateando fogo. Tiros foram disparados para o alto como forma de ameaça.

Os camponeses chegaram a denunciar o despejo criminoso e ilegal em postos policiais dos municípios de Chupinguaia e Vilhena. Porém, nada foi feito e as ameaças e perseguições continuaram.


MG e RS: Atos contra pacotaço da previdência

Com informações do jornal Resistência Camponesa

Milhares de camponeses do centro e noroeste do Rio Grande do Sul e do norte de Minas Gerais realizaram atos em repúdio a mais um pacotaço do gerenciamento federal de Temer/PMDB e a sua quadrilha, que agora tem como alvo a previdência social.

No dia 23/02, mais de 12 mil pessoas de 150 municípios do noroeste do Rio Grande do Sul dirigiram-se ao centro da cidade de Santa Rosa para protestar contra os ataques à previdência.

Os manifestantes percorreram as principais ruas do Centro, cantando palavras de ordem em repúdio à contrarreforma e distribuindo panfletos para os moradores locais, que explicava as nefastas consequências dessa contrarreforma para os trabalhadores rurais. Em demonstração de apoio ao ato, em 15 municípios foi decretado ponto facultativo para que as pessoas comparecessem a manifestação.

No dia 21/02, mais de 10 mil pessoas se reuniram em Santa Cruz do Sul, no centro do estado, também em protesto contra o pacotaço que visa retirar direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores do campo.

Em Montes Claros, norte de Minas Gerais, no dia 17/02, mais de 5 mil pessoas ocuparam as ruas do centro da cidade em demonstração de repúdio ao pacotaço antipovo do gerenciamento Temer. O ato contou com a participação de dezenas de sindicatos da região, convocados pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Minas Gerais (FETAEMG).

A LCP do Norte de Minas e Sul da Bahia se fez presente no ato, entoando palavras de ordem contra os ataques à previdência, distribuindo panfletos abordando a necessidade da revolução agrária para a tomada das terras do latifúndio, além de estamparem uma faixa com os seguintes dizeres: “Contra a crise e os pacotaços: Greve Geral!”.

No panfleto distribuído à população, a LCP ressalta que a aprovação dessa criminosa contrarreforma, na prática, impossibilitará que milhares de camponesas e camponeses se aposentem, agravando ainda mais a situação de pobreza e miséria destes e de suas famílias, além de afetar a economia de milhares de municípios do país, nos quais as contribuições previdenciárias estimulam o comércio local, geram impostos e empregos.

A contrarreforma da previdência, que tramita como “Proposta de Emenda à Constituição” (PEC) 287, no que se refere ao trabalhador rural aumentará a idade mínima para a aposentadoria: de 55 para 65 anos para as mulheres, de 60 para 65 para os homens, aumentará o tempo de contribuição da atividade rural de 15 para 25 anos, além da forma de contribuição, que passará a ser mensal e individual, ao invés da contribuição a partir da comercialização da produção.


BA, CE e RS: Ocupação de latifúndios

Com informações do mst.org

No dia 06/03, mais de mil mulheres ocuparam a Usina Santa Maria, em Medeiro Neto, no extremo sul da Bahia, em protesto contra a paralisação do projeto de “reforma agrária” e a monocultura da cana-de-açúcar.

Em Salvador (BA), no mesmo dia, a sede regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foi ocupada tendo como reivindicações a realização da “reforma agrária” e o fim das contrarreformas previdenciária e trabalhista do gerenciamento Temer.

Em Quixeramobim (CE), no dia 01/03, cerca de 80 famílias reocuparam a fazenda Jacaraí, de 3 mil hectares. Os camponeses exigem a desapropriação imediata do latifúndio e a distribuição de suas terras para as famílias acampadas na região.

No dia 26/02, cerca de 300 jovens ligados ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) ocuparam a fazenda Mattei, no município de Pontão (RS). Os jovens denunciaram que o pretenso proprietário do latifúndio, que cultiva soja transgênica, teria grilado as terras.

No extremo sul da Bahia, em Jucuruçu, no dia 21/02, cerca de 50 famílias vinculadas ao MST reocuparam a fazenda Caledônia, da qual haviam sido removidos 6 dias antes, com a destruição de barracos e plantações por um trator. Os camponeses reivindicam há anos dos gerenciamentos federal e estadual a destinação dessas terras para a “reforma agrária”. As famílias anunciaram que não pretendem abandonar as terras, mesmo com as ameaças feitas por pistoleiros a serviço de latifundiários locais.